Justiça decreta prisão preventiva de investigado por armazenar mais de 1,6 mil arquivos de pornografia infantojuvenil

Suspeito foi preso em flagrante durante operação da Polícia Federal em São Francisco, no Norte de Minas; investigação aponta atividade criminosa mantida por mais de uma década.
Foto: Reprodução/ Google Maps

A Justiça de Minas Gerais decretou a prisão preventiva de um homem investigado por armazenar e compartilhar material de exploração sexual de crianças e adolescentes em São Francisco, no Norte de Minas. A decisão foi proferida pelo Juízo das Garantias da comarca durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (24).

O investigado havia sido preso em flagrante na terça-feira (23), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal. A investigação teve início a partir de relatórios emitidos pelo National Center for Missing and Exploited Children (NCMEC), que apontaram o armazenamento de arquivos ilícitos em uma conta de nuvem vinculada ao e-mail do suspeito.

Durante a análise preliminar dos dispositivos apreendidos, foram identificados 1.603 arquivos relacionados à exploração sexual infantojuvenil, organizados em álbuns específicos. Somados aos 139 arquivos já localizados em ambiente de nuvem, o material apreendido indica, segundo as autoridades, uma atividade contínua ao longo de aproximadamente 12 anos.


Na decisão, a Justiça considerou que a conversão da prisão em flagrante para preventiva é necessária para garantir a ordem pública. O Juízo destacou a gravidade da conduta investigada e o risco de reiteração criminosa diante da habitualidade e da forma estruturada como o material era armazenado ao longo de mais de uma década.

Ao solicitar a prisão preventiva, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) argumentou que a grande quantidade de arquivos, a organização sistemática do conteúdo e a sincronização com plataformas remotas indicam mais do que um armazenamento passivo do material.

Segundo o órgão, os elementos reunidos na investigação apontam para uma dinâmica permanente de circulação e compartilhamento desse tipo de conteúdo em ambientes virtuais.

“A decisão judicial ressaltou a gravidade concreta da conduta e o evidente risco de reiteração delitiva, evidenciado pela habitualidade, pela reiteração e pela forma estruturada como o material era mantido ao longo de mais de uma década. As medidas cautelares diversas da prisão foram consideradas inadequadas e insuficientes para o caso”, informou o MPMG.

Nínive Lacerda
É jornalista formada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em 2022, com experiência em videorreportagens, marketing e redação. Acredita na prática jornalística enquanto mediadora das negociações sociais.