Trabalhador é resgatado após 14 anos em condição análoga à escravidão em fazenda de Montes Claros

Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com apoio da Polícia Federal encontrou o homem, de 64 anos, vivendo em condições degradantes; ele não tinha registro em carteira e usava a mata para fazer necessidades fisiológicas.
Segundo o MTE, homem de 64 anos vivia em um barracão sem banheiro e água potável, não tinha carteira assinada e recebia R$ 300 por mês. Foto: MTE/Divulgação

Um trabalhador, de 64 anos, foi resgatado em condição análoga à escravidão em uma fazenda na zona rural de Montes Claros, no Norte de Minas. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ele era submetido às condições degradantes havia cerca de 14 anos.

O resgate foi realizado nesta segunda-feira (22), durante uma ação do MTE com apoio da Polícia Federal.

De acordo com a fiscalização, o trabalhador vivia desde 2012 em um barracão sem instalações sanitárias, sem acesso à água potável e sem um local adequado para dormir. Ele também não recebia alimentação nem vestuário fornecidos pelo empregador e utilizava uma área de mata para fazer as necessidades fisiológicas.


Ainda segundo o MTE, o homem foi recrutado em 2012 sem saber qual seria a remuneração. Ele recebia R$ 300 por mês, não tinha registro em carteira e não recebia direitos trabalhistas.

Para a equipe de fiscalização, a remuneração irrisória, as condições degradantes de moradia e o longo período de permanência no local foram fatores determinantes para caracterização do trabalho escravo contemporâneo.

Após o resgate, a Auditoria-Fiscal do Trabalho notificou os responsáveis pela fazenda e encaminhou o trabalhador aos órgãos de assistência social.

Conforme o MTE, o empregador responderá pelas infrações trabalhistas e poderá ser indiciado pelo crime de redução de pessoa à condição análoga à de escravo, previsto no artigo 149 do Código Penal.

Nínive Lacerda
É jornalista formada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em 2022, com experiência em videorreportagens, marketing e redação. Acredita na prática jornalística enquanto mediadora das negociações sociais.