Anvisa alerta: “retatrutida” ainda não é aprovada e venda é irregular

Medicamento em fase avançada de estudos apresenta resultados promissores, mas ainda não tem autorização em nenhum país e já aparece no mercado clandestino

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta sexta-feira (24) sobre a comercialização irregular da retatrutida, substância ainda em fase de desenvolvimento clínico e sem aprovação para uso em qualquer país. Mesmo sem registro, o medicamento já vem sendo anunciado em sites, redes sociais e até apreendido em operações nas fronteiras brasileiras.

Estudada para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, a retatrutida tem despertado interesse após apresentar resultados considerados promissores. Em pesquisas, a substância chegou a alcançar uma redução média de até 28,3% do peso corporal em pacientes. Ainda assim, segundo a Anvisa, o processo de estudos não foi concluído, o que impede sua liberação para venda.

A fabricante, Eli Lilly, ainda não solicitou o registro do medicamento junto a órgãos reguladores, aguardando a finalização dos testes necessários para comprovar eficácia, segurança e qualidade. Sem essa aprovação, qualquer produto comercializado com o nome retatrutida é considerado irregular.


A agência reforça que medicamentos sem registro sanitário não passam por controle de qualidade, o que significa que não há garantia sobre sua composição, dosagem ou condições de fabricação e armazenamento. Em muitos casos, os produtos podem conter impurezas, substâncias desconhecidas ou até mesmo não apresentar o princípio ativo indicado.

Apesar de já ter sido testada em centenas de participantes e apresentar avanços significativos, a retatrutida ainda precisa passar por etapas fundamentais. Os estudos avaliam não apenas a perda de peso, mas também possíveis efeitos adversos, doses seguras, contraindicações, interações com outros medicamentos e a durabilidade dos resultados ao longo do tempo.

A substância atua de forma semelhante às chamadas “canetas emagrecedoras”, mas com um diferencial: possui ação tripla. Além de imitar hormônios que promovem saciedade e ajudam no controle da glicose, também estimula o gasto energético do organismo. Esse mecanismo ampliado é o que tem gerado expectativa em torno do medicamento.

Mesmo com os resultados positivos, especialistas alertam que a eficácia não garante segurança imediata. Um medicamento só pode ser liberado após a conclusão de todos os estudos e análise criteriosa das autoridades sanitárias.

A Anvisa destaca ainda que o consumo de versões clandestinas representa risco elevado à saúde e pode configurar crime. Sem bula e sem rastreabilidade, o usuário não tem acesso a informações essenciais como dose correta, contraindicações e possíveis reações adversas.

Até o momento, não há previsão para que a retatrutida chegue ao mercado. Enquanto isso, a recomendação é clara: não adquirir nem utilizar medicamentos sem registro, mesmo que sejam divulgados como importados ou apresentados com aparência profissional.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.