Fim da escala 6×1 avança no Congresso e Câmara aprova redução da jornada para 40 horas semanais

Proposta aprovada em dois turnos garante dois dias de folga remunerada e prevê transição gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais
Câmara aprova PEC que acaba com a escala 6"1, reduz a jornada para 40h e prevê dois dias de folga por semana. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. A medida também garante dois dias de descanso remunerado por semana aos trabalhadores brasileiros. O texto agora segue para análise do Senado.

A proposta foi aprovada em dois turnos no plenário da Câmara. Na primeira votação, recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos a favor e 19 contra, superando com ampla margem o mínimo necessário de 308 votos.

A articulação para aprovação contou com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente da Câmara, Hugo Motta, que construíram um acordo sobre o período de transição da nova jornada.


Durante a votação, Hugo Motta afirmou que a aprovação representa um marco histórico para o país. Segundo ele, desenvolvimento econômico e dignidade humana devem caminhar juntos, defendendo que trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais.

O presidente Lula também comemorou o resultado e classificou a aprovação da PEC como uma “conquista histórica e civilizatória”. Em nota, o chefe do Executivo afirmou que irá trabalhar para garantir a aprovação da proposta no Senado.

A nova regra prevê uma implementação gradual. Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas. Após um período de 12 meses, o limite cairá definitivamente para 40 horas semanais.

O texto assegura ainda que a redução ocorrerá sem diminuição salarial ou alteração dos pisos já existentes. Os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de repouso remunerado por semana, sendo que um deles deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos.

A proposta não obriga que as folgas sejam consecutivas. Convenções coletivas poderão definir formatos diferentes de compensação, desde que seja garantida a média de dois dias de descanso semanal ao longo do mês.

Outro ponto do texto estabelece exceção para trabalhadores considerados “hipersuficientes” — profissionais com ensino superior e remuneração acima de R$ 21,1 mil. Nesse caso, eles poderão continuar fora do controle formal de jornada e manter regimes diferenciados, incluindo a escala 6×1.

A votação também gerou embates entre parlamentares da base governista e da oposição. Deputados do PL criticaram a condução da sessão e acusaram a presidência da Câmara de acelerar a tramitação da proposta para evitar a votação de uma emenda que previa a adoção da escala 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso.

Já defensores da PEC argumentaram que a mudança representa avanço nas relações de trabalho e melhora na qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

O texto aprovado também prevê medidas para amenizar impactos em micro e pequenas empresas, que poderão receber regras específicas por meio de futura lei complementar. Na administração pública, contratos terceirizados terão prazo de até 12 meses para adaptação às novas exigências.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.