Significado e Propósito – desfrute do melhor

Confira a coluna Vida em Sociedade desta semana, por Michael Stephan

Qual o caminho para felicidade? Porque muitos estão insatisfeitos com o que fazem? Na verdade as pessoas não querem somente produzir, mas também se revelarem através de suas ações e atividades. Foi realizada uma pesquisa no norte da América sobre qual seria a raiz da realização pessoal. E foi constatado que quando não se tem as condições mínimas de sobrevivência ou os recursos básicos necessários, isso sem dúvidas traz infelicidade. Por outro lado quando a renda e os bens materiais aumentam, o resultado foi que até certo ponto há sim felicidade, mas a partir de outro nível a felicidade não é mais progressiva. A partir disso foram pesquisados três grupos de pessoas em um mesmo ambiente de produção. Um desses grupos parecia estar inquieto, observando o relógio a todo o tempo, pareciam demonstrar grande insatisfação como o que faziam. Um segundo grupo demonstrava total passividade, falta de energia e desânimo. Já um terceiro grupo estava diferente. Esse parecia estar bastante natural, tranquilo e ao mesmo tempo demonstrava grande concentração no que faziam. Ao final do dia foi verificado que esse grupo nem notou que o tempo teria passado.

Ao serem examinados alguns tipos profissionais, como: cientistas, artistas, empresários, esses bem-sucedidos em sua área, demonstraram um elo em comum – total satisfação e motivação intrínseca em razão do que faziam ou desenvolviam. Tal análise foi considerada pelo pesquisador húngaro Mihale, que o denominou de estado de flow ou estado de fluxo. Ainda assim pode ser compreendido como um indicador forte de felicidade. Esse estado na verdade é possível ser atingido com proatividade, concentração e envolvimento total com o que se faz ou com o que se realiza. Para se desenvolver isso, segundo o pesquisador, alguns aspectos podem ser observados, por exemplo: fazer o que gosta ou passar a gostar muito do que se faz. O ideal é que seja algo que se busque um legado maior do que se beneficiar apenas a si próprio, mas sim que seja um legado para uma comunidade ou para outras pessoas. Como disse Jesus: eu não vim ser servido, mas vim servir, ou ainda o indiano Mahatma Gandhi que nos orienta que quem não vive para servir não serve para viver.

E paralelamente a isso as habilidades devem ser desenvolvidas proporcionalmente aos desafios a serem alcançados. Isto é, há que se ter abnegada dedicação e vontade intensa de se desenvolver tais aptidões para que assim, somente a execução da atividade já traga satisfação por haver conseguido tal êxito. Consecutivamente deve-se sempre buscar feedbacks de líderes de maneira que sejam faróis a se guiar. E se tenha a certeza de se estar em evolução e aprendizado contínuo para o atingimento da excelência. Vale lembrar ainda que a imersão, o envolvimento no que se faz deve ser intenso para que cada vez mais a perfeição seja buscada na constância e consistência da execução da atividade, da produtividade e do resultado a ser alcançado. E por assim dizer com tal empreendimento e objetivo traçado o estado de “flow” será a consequência de tudo que se desenvolver diante das ideias e ações nesse caminho. E é nessa passagem que a felicidade se fará presente perante todo o processo a ser vivenciado, já que como nos ensina o escritor Guimarães Rosa, “a felicidade não está no ponto de partida, nem no ponto de chegada, mas sim está na travessia”.