A pessoa se aproxima, olha para o meu filho e diz:
— Olá!
Ele permanece em silêncio.
Passam-se dois segundos — embora, para uma mãe sendo observada, pareçam horas. Antes que ele consiga reagir, eu entro em cena:
— Mateus, responde. A pessoa falou com você.
Nesse momento, já não existe apenas um “olá” para compreender. Existe o cumprimento, a minha ordem, a pessoa esperando, o ambiente ao redor e a sensação de que alguma coisa precisa acontecer depressa. Uma palavra pequena acaba se transformando numa prova oral.
Dentro de um “olá” existem várias ações invisíveis. Por muito tempo, pensei que cumprimentar fosse uma tarefa simples. Afinal, basta dizer “oi”. Mas saber pronunciar uma palavra não significa conseguir usá-la espontaneamente numa interação.
É preciso perceber que alguém se aproximou, interromper o que se estava fazendo, compreender que a fala foi dirigida a você, descobrir o que se espera naquele momento, organizar uma resposta e colocá-la para fora antes que o outro perca a paciência.
O “olá” quase nunca traz uma informação nova. Sua função é social: significa “eu percebi você” e abre a possibilidade de interação. É uma regra da convivência que a maioria de nós aprendeu tão cedo que se esqueceu de que também precisou aprendê-la.
Para algumas pessoas com deficiência intelectual, autismo ou dificuldades de linguagem, essa sequência pode exigir mais tempo.
Quando meu filho não responde, pode ser que ele não tenha compreendido que a fala era dirigida a ele. Pode estar procurando a palavra.
Pode ter ficado ansioso com a abordagem inesperada. Ou talvez não compreenda por que o cumprimento é necessário. Afinal, se as duas pessoas já estão se vendo, por que precisam anunciar que estão ali?
Então, que tal, em vez de concluir imediatamente que o seu filho “não quis responder”, pensar em algumas hipóteses? Com pessoas conhecidas, ele cumprimenta? Em casa, consegue, mas na rua não? Responde melhor quando é avisado de que alguém chegará? O barulho interfere? Ele compreende a função do cumprimento ou apenas aprendeu a repetir a palavra?
Essas observações ajudam a descobrir qual apoio faz sentido.
Podemos explicar de maneira direta: “Quando alguém diz olá, respondemos para mostrar que percebemos a pessoa”. Podemos praticar com vídeos, pequenas encenações e situações do cotidiano. Também podemos oferecer escolhas: dizer “oi”, acenar ou utilizar outra forma de comunicação.
Mas a prática precisa variar. Se ensaiarmos sempre com a mesma pessoa, no mesmo lugar e usando as mesmas palavras, o filho pode decorar aquela cena sem compreender o que fazer quando o cenário muda. O objetivo não é produzir um cumprimento perfeito. É ajudá-lo a participar de encontros reais.
Outro apoio parece pequeno, mas costuma ser o mais difícil: esperar.
Antes de repetir a pergunta, aumentar o volume ou dar a resposta por ele, podemos contar alguns segundos em silêncio. A pressão não acelera necessariamente o processamento. Muitas vezes, apenas acrescenta novas informações a uma situação que já estava difícil.
Também não precisamos exigir contato visual como prova de educação. Para algumas pessoas, olhar nos olhos, escutar, compreender e falar ao mesmo tempo exige esforço demais. A atenção pode aparecer de outras formas.
Claro que a mãe impulsiva e ansiosa que existe dentro de mim sorri educadamente para os outros e quase ordena entre os dentes:
— Responde, meu filho.
Algumas vezes, eu consigo esperar. Outras, nem tanto; aí, faço uma palestrinha chata sobre a importância de cumprimentar, enquanto Mateus precisa apenas de alguns segundos para decidir como iniciar a interação.
Existe uma diferença entre ensinar uma habilidade social e exigir uma atuação. Ensinar é explicar o sentido, observar as dificuldades, oferecer apoio e reconhecer diferentes formas de participação. Além disso, até parece que a reputação da família inteira depende daquele “olá”.





