Espécie de orquídea, que existe apenas em Minas, é descoberta no Norte do estado

A planta rara identificada pelos pesquisadores Gabriela Cruz-Lustre e João Batista, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é considerada endêmica da região, ou seja, ocorre apenas naquele território específico e não nasce de forma natural em nenhum outro lugar do mundo
Nova espécie de orquídea é descoberta no Norte de MG - Foto: Agência Minas/ Gabriela Cruz-Lustre/Divulgação
Nova espécie de orquídea é descoberta no Norte de MG - Foto: Agência Minas/ Gabriela Cruz-Lustre/Divulgação

A nova espécie de orquídea, de nome científico Habenaria adamantina, existente apenas em Minas Gerais, foi descoberta no Parque Estadual de Grão Mogol, cidade do Norte do estado. A planta rara foi identificada pelos pesquisadores Gabriela Cruz-Lustre e João Batista, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A constatação foi destacada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), e reforça ainda mais o papel das Unidades de Conservação como espaços importantes para o desenvolvimento de conhecimento científico e a preservação da biodiversidade.

A nova espécie ganhou o nome científico Habenaria adamantina, fazendo referência aos diamantes que marcaram a história da cidade de Grão Mogol, além do brilho delicado das estruturas florais pequeninas.


A orquídea é considerada endêmica da região, ou seja, ocorre apenas naquele território específico e não nasce de forma natural em nenhum outro lugar do mundo.

Mesmo que a orquídea é encontrada em áreas abertas, próximas a trilhas, essa nova espécie ainda não havia sido descoberta pela ciência até o momento. Com a grande identificação, o número de espécies desse gênero Habenaria registradas em Grão Mogol subiu de quatro para 12.

Ambientes biodiversos

A planta nasce em áreas de campo rupestre, sendo este um ecossistema característico da Serra do Espinhaço, reconhecido como um dos ambientes mais biodiversos, e também mais ameaçados em todo o país.

No Parque Estadual de Grão Mogol, a espécie cresce em solos arenosos e úmidos, geralmente em áreas atingidas pelo calor do Sol e próximas a pequenas fontes.

De acordo com informações do gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro Silva, pesquisas científicas em áreas protegidas dependem de autorização prévia dos órgãos gestores, sendo esse um procedimento fundamental para garantir que os estudos sejam realizados de forma responsável no local.

“A autorização assegura que os trabalhos ocorram sem comprometer os objetivos de conservação das áreas protegidas. Também possibilita que o órgão acompanhe e avalie as atividades, garantindo que estejam alinhadas às normas ambientais e contribuam para a gestão das Unidades de Conservação”,explicou Silva.

Até o momento, os pesquisadores do estudo conseguiram identifica apenas duas populações da espécie, que estão distribuídas em uma área de aproximadamente 16,9 km². Seguindo a metodologia da International Union for Conservation of Nature (IUCN), a nova espécie de orquídea poderá ser classificada na categoria Em Perigo (EN).

Principais ameaças

Entre as principais ameaças que a planta sofre estão:

– Pisoteio acidental de visitantes;
– Erosão do solo;
– Mudanças na vegetação natural.

Medidas de proteção

Apesar dessas possíveis ameaças, a pesquisadora responsável pela inovação Gabriela Cruz-Lustre destaca que o parque já segue importantes medidas para proteger a espécie, como:

– Controle do uso público;
– Orientação para que os visitantes sigam o caminho das trilhas;
– Orientação para que os visitantes não removam as plantas.

Norte de Minas em evidência

Para Cruz-Lustre, a descoberta reforça a relevância científica da região do Norte de Minas e evidencia ainda mais a necessidade de aumentar iniciativas de pesquisa e conservação da biodiversidade nas Unidades de Conservação.

A identificação da nova espécie também demonstra como áreas protegidas continuam revelando espécies ainda desconhecidas, o que contribui para desenvolver o conhecimento sobre a flora brasileira, além de fortalecer estratégias de conservação da natureza.

*Com informações de Agência Minas

Sarah Thomé
Sarah Thomé é jornalista, formada pelo Centro Universitário Funorte, com passagens por veículos de comunicação, sendo portais e TV. Comprometida com a notícia, veracidade dos fatos e ética jornalística, atualmente, faz parte do time do Portal Webterra. Natural de Belo Horizonte-MG, é apaixonada por livros, escrita e animais.