Fomos procurados pelo Portal do Povo sobre o corte de funcionários da Novo Nordisk, com atenção especial à unidade da empresa em Montes Claros. O grupo farmacêutico dinamarquês anunciou nesta quarta-feira (10) um corte de 11% da força de trabalho global, o que representa cerca de 9 mil funcionários. A medida ocorre em meio à intensificação da concorrência no setor de medicamentos contra a obesidade, onde a empresa é referência com os produtos Ozempic e Wegovy.
Segundo comunicado, a redução de pessoal deve gerar uma economia de 8 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 7 bilhões) até o fim de 2026. Apenas na Dinamarca, país de origem da companhia, serão eliminados 5 mil postos de trabalho.
Essa é a terceira vez no ano que a Novo Nordisk revisa para baixo suas projeções financeiras. A empresa estima agora crescimento do lucro operacional entre 4% e 10% em 2025, frente aos 10% a 16% previstos anteriormente.
O CEO Mike Doustdar explicou que os cortes fazem parte de uma “transformação global” da farmacêutica:
“Nossos mercados estão mudando, especialmente o da obesidade, que ficou mais competitivo e voltado ao consumidor. Nossa empresa também precisa acompanhar essa evolução”, afirmou.
Foco em Montes Claros: empregos e investimentos
A fábrica da Novo Nordisk em Montes Claros emprega cerca de 1.700 funcionários diretos, gerando um total de 2.650 empregos diretos e indiretos na região, conforme anunciado em abril de 2025.
- 1.700 funcionários diretos: colaboradores que trabalham diretamente na fábrica da multinacional em Montes Claros.
- 2.650 empregos diretos e indiretos: incluindo empregos indiretos gerados na cidade.
- Investimento e expansão: em abril de 2025, a empresa anunciou um investimento significativo no Brasil, com expectativa de gerar 600 novos empregos diretos na fábrica de Montes Claros, além dos 2.650 já existentes.
Concorrência crescente e perda de valor de mercado
Com a popularidade das injeções para emagrecimento, a Novo Nordisk chegou a se tornar a empresa mais valiosa da Europa, após rápida valorização das ações e forte expansão no número de funcionários — de 43,7 mil em 2020 para 78,4 mil atualmente.
No entanto, desde o ano passado, os papéis da companhia vêm sofrendo queda, ao mesmo tempo em que o crescimento das vendas desacelerou. A principal rival é a norte-americana Eli Lilly, fabricante de medicamentos concorrentes no segmento de obesidade.
A empresa também enfrenta desafios com a capacidade de produção. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) chegou a autorizar temporariamente farmácias a produzirem versões “compostas” dos medicamentos, semelhantes ao Ozempic e ao Wegovy. Embora a permissão tenha expirado em maio, a Novo Nordisk denuncia que as versões genéricas seguem circulando.
Ozempic e Wegovy: medicamentos em alta demanda
O Ozempic é um fármaco injetável indicado para o tratamento da diabetes tipo 2, mas ganhou popularidade nas redes sociais pelo efeito de emagrecimento. Já o Wegovy, com o mesmo princípio ativo, é voltado especificamente para tratamento da obesidade.
Ambos utilizam análogos do hormônio GLP-1, que regula os níveis de glicose no sangue e o apetite.
A equipe de jornalismo do Portal Webterra fez contato com a fábrica em Montes Claros e aguarda retorno.





