Denúncia de assédio sexual provoca demissões e processo judicial no Atlético-MG

O caso ocorreu em agosto de 2023 e resultou em ações judiciais, incluindo um acordo no qual o clube pagou cerca de R$ 10 mil à vítima

O Atlético-MG demitiu três profissionais de seu departamento de fisioterapia após denúncias de assédio sexual, moral e de humilhações no ambiente de trabalho. O caso ocorreu em agosto de 2023 e resultou em ações judiciais, incluindo um acordo no qual o clube pagou cerca de R$ 10 mil à vítima.

Segundo documentos judiciais, a denúncia foi feita por uma residente da fisioterapia que relatou ter sido alvo de assédio sexual após um fisioterapeuta da base exibir um vídeo pornográfico editado com áudio retirado de publicação profissional dela no Instagram. O conteúdo teria circulado entre funcionários e chegado até atletas menores de idade.

A vítima afirmou ainda ter sofrido perseguições, intimidações e constrangimentos no ambiente de trabalho após relatar o episódio internamente. Em denúncia encaminhada ao canal oficial do clube, apresentou como provas o vídeo, registros de ligações, mensagens e áudios.


Após investigação interna, o Atlético-MG decidiu demitir os fisioterapeutas Gustavo Braga, Marcelo Saliba e Silvanio Signoretti Jr. por justa causa. Saliba, que chefiava o setor, ingressou com ação trabalhista pedindo R$ 223 mil de indenização. Ele alega não ter participado do episódio, ter informado a direção e apoiado a vítima, classificando a demissão como injusta.

A Justiça de Minas Gerais, em primeira instância, manteve a demissão por justa causa. O juiz responsável destacou que a gravidade da situação justificava a medida, entendendo que houve omissão na condução do caso. A vítima também acionou o Conselho Regional de Fisioterapia (Crefito) e a Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe), e os processos seguem em andamento.

Em nota, o Atlético-MG informou que o caso foi tratado com “seriedade e efetividade, visando à proteção da vítima”. A defesa de Marcelo Saliba reiterou que ele não teve envolvimento no episódio e anexou ao processo áudio em que a própria vítima reconheceria a injustiça da demissão.

Os demais envolvidos negaram as acusações ou não foram encontrados para comentar. As ações seguem em andamento na Justiça.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.