Trago aqui a história do meu irmão, Gerson Santiago, que, aos 97 anos, foi votar em Salinas, dando um exemplo de participação cidadã que merece ser lembrado.
Nascido em 1929, Gerson atravessou quase um século de transformações. Viveu a Era Vargas, a ditadura militar, a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988. Ao longo de sua vida, acompanhou mudanças profundas na sociedade, nos costumes, na comunicação e na política brasileira.

De um tempo em que as notícias circulavam nas conversas de calçada ao mundo de hoje, em que os debates também acontecem nas telas dos celulares, Gerson testemunhou as transformações de um país em constante mudança.
Sua trajetória faz parte da história de uma geração que enfrentou dificuldades, acompanhou mudanças e viu o Brasil se reinventar muitas vezes.
Mas foi seu gesto, aos 97 anos, que me chamou a atenção: sair de casa para exercer o direito de votar. Um ato simples, mas carregado de significado. Afinal, a democracia não se sustenta apenas nas instituições ou nos discursos dos políticos. Ela também se fortalece com a participação de cada cidadão.
Gerson nos lembra que a cidadania não tem prazo de validade. A idade pode avançar, o mundo pode mudar e as tecnologias podem transformar a maneira como nos comunicamos, mas o direito de participar das decisões coletivas permanece vivo.

Como irmão, vejo nesse gesto muito mais do que o cumprimento de um dever eleitoral. Vejo a força de uma vida, a memória de quase um século e a disposição de quem continua reconhecendo o valor da democracia.
Aos 97 anos, Gerson Santiago foi votar. Seu gesto nos ensina que a cidadania não envelhece e que a democracia se alimenta da memória de quem viveu a história e da participação de quem constrói o futuro.





