Cada vez mais cara: cesta básica consome quase 40% do salário mínimo em Montes Claros; veja os produtos que mais subiram

O valor dos 13 produtos que compõem a cesta passou deR$ 571,37 para R$ 610,87, uma diferença de R$ 39,50.

O preço da cesta básica aumentou 6,91% em Montes Claros nos primeiros nove meses deste ano, segundo levantamento do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O valor dos 13 produtos que compõem a cesta passou deR$ 571,37 para R$ 610,87, uma diferença de R$ 39,50.


O aumento ocorre mesmo após uma queda de 0,95% registrada no preço da cesta em agosto.

Em setembro, considerando um rendimento mensal de R$ 1.621, o trabalhador montes-clarense precisou dedicar 103 horas e 8 minutos de trabalho para conseguir comprar os produtos básicos. O gasto representou 37,68% do salário mínimo.

Depois de pagar pela cesta, restaram R$ 1.010,13 para outras despesas essenciais, como moradia, saúde, higiene, transporte, vestuário, serviços pessoais e lazer.

Inflação acelera em setembro

A alta da cesta básica ocorre em um cenário de aceleração da inflação em Montes Claros. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-Moc), o custo de vida aumentou 0,61% em setembro, contra 0,19% em agosto. Com o resultado de setembro, a inflação acumulada no município chegou a 5,48% no ano.

O grupo Alimentação, que tem o maior peso na composição do orçamento das famílias, foi um dos principais responsáveis pelo resultado. A variação foi de 1,35% no mês, com contribuição de 0,39 ponto percentual para o índice geral.

Entre os produtos que ficaram mais caros estão:

    • Palmito: 4,84%

    • Óleo de soja: 4,42%

    • Molho de pimenta: 3,85%

    • Açúcar: 3,40%

    • Ketchup: 3,15%

    • Macarrão talharim: 2,74%

    • Pudim em pó: 2,72%

    • Sopão: 2,61%

    • Farinha de milho: 2,42%

    • Bombons e balas: 2,40%

    • Sucos em garrafa: 1,04%

Por outro lado, alguns produtos tiveram redução de preço. A maior queda foi registrada na salsicha em lata, com -2,76%, seguida por achocolatados (-2,50%), chá-mate (-1,94%), café (-1,72%), chá preto (-1,71%) e bacon (-1,63%).

Saúde também pressiona orçamento

Além da alimentação, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve alta de 1,57% em setembro e contribuiu com 0,15 ponto percentual para o IPC-Moc.

Os maiores aumentos foram registrados em medicamentos como antitérmico (4,33%), antiulceroso (3,55%), digestivo (2,91%), anti-inflamatório (2,03%), expectorante (1,31%) e antidepressivo (0,75%).

Em contrapartida, houve redução nos preços de medicamentos para colesterol (-2,98%), antiviral (-2,42%), fortificante (-2,03%) e hipertensivo (-0,82%).

A professora Vânia Vilas Bôas, coordenadora do setor responsável pelo levantamento, afirma que o resultado de setembro, isoladamente, não é suficiente para indicar uma aceleração contínua da inflação nos próximos meses.

Segundo a economista, o comportamento dos preços dos alimentos, dos serviços e dos demais itens que fazem parte do orçamento das famílias será determinante para a trajetória do custo de vida.

Rodrigo Barbosa
Jornalista de formação pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas - Funorte, em 2018. Natural de Montes Claros-MG, tem passagens por Tv, na Inter TV Grande Minas e Tv Anhanguera, afiliadas Globo, além de assessoria de comunicação, portais de notícias e redações de jornais, sendo impresso e online.