Estudo aponta alta vulnerabilidade climática para crianças em municípios brasileiros

Levantamento do Unicef revela desigualdade na exposição a riscos ambientais e destaca necessidade de políticas públicas

Em um cenário marcado pelo avanço das mudanças climáticas e pela frequência crescente de eventos extremos, um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) acende um alerta sobre os impactos diretos na vida de crianças e adolescentes no Brasil.

A pesquisa, divulgada nesta semana por meio do Painel Crianças e Meio Ambiente, desenvolvido em parceria com a organização internacional Vital Strategies, revela que há desigualdade significativa na distribuição dos riscos ambientais e climáticos entre os municípios brasileiros.

De acordo com o estudo, 333 cidades — o equivalente a 6% do total no país — apresentam alto nível de vulnerabilidade socioambiental, especialmente para o público infantojuvenil. A análise considera 14 indicadores, organizados em quatro eixos principais: qualidade do ar, infraestrutura urbana e ambiental, eventos climáticos extremos e condições do ambiente escolar.


Entre os fatores avaliados estão a ocorrência de chuvas intensas, ondas de calor, períodos de seca, além da falta de saneamento básico e níveis elevados de poluição do ar, muitas vezes acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados também mostram que crianças estão entre os grupos mais expostos, principalmente por dependerem de adultos para reconhecer riscos e agir diante de situações de perigo, como desastres naturais.

O levantamento classifica os municípios em três níveis de prioridade, sendo o nível 3 o mais crítico, indicando necessidade urgente de intervenção. As cidades que apresentam alta prioridade em mais de dez indicadores são consideradas em situação de vulnerabilidade severa e multidimensional.

As regiões Norte e Nordeste concentram a maior parte desses municípios, com destaque para estados como Pará, Amazonas, Acre e Maranhão. Em contrapartida, apenas 108 cidades brasileiras não registraram nenhum indicador em nível crítico.

Além de mapear os riscos, a plataforma permite acesso a diagnósticos detalhados de todos os 5.571 municípios do país e reúne cerca de 50 recomendações para auxiliar gestores públicos na criação de políticas voltadas à proteção da infância.

Especialistas destacam que a iniciativa contribui para orientar decisões mais assertivas e reduzir desigualdades, reforçando a importância de ambientes mais seguros e sustentáveis para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

 

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.