Uma grande operação integrada das forças de segurança foi realizada na manhã desta quarta-feira (24) em Montes Claros, no Norte de Minas, como parte da Operação Cerco Fechado, mobilização permanente do Governo de Minas Gerais voltada ao enfrentamento de organizações criminosas e à retomada de territórios considerados sensíveis.

A ação integra uma estratégia coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), representada na operação pelo secretário Rogério Greco, e envolve atuação conjunta entre Polícia Militar de Minas Gerais, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, com foco na desarticulação de estruturas criminosas, descapitalização de organizações e combate à chamada “governança criminal”.

Estratégia estadual e números da operação
De acordo com o balanço apresentado pelas forças de segurança, a Operação Cerco Fechado já contabiliza, em 24 dias de execução em Minas Gerais:
- 1.015 pessoas conduzidas à delegacia;
- 82 adolescentes apreendidos;
- 110 armas de fogo apreendidas;
- 70 armas brancas e simulacros apreendidos;
- 2.183 munições recolhidas;
- 878 prisões realizadas;
- 326 mandados de prisão cumpridos;
- 47.717 porções de drogas apreendidas, equivalente a aproximadamente 9,5 toneladas.
Segundo a Sejusp, o objetivo central da operação é ampliar a presença do Estado em áreas com histórico de vulnerabilidade e impedir a consolidação de facções criminosas em Minas Gerais.

Atuação da Polícia Militar
A fase operacional da Polícia Militar ocorreu simultaneamente nos bairros Santa Cecília, Conferência Cristo Rei e Vila Itatiaia, áreas mapeadas pelos setores de inteligência como pontos de atuação de grupos criminosos.
Segundo o comando da operação, foram empregados:
- 148 policiais militares;
- 38 viaturas.
Resultados da atuação da PM:
- 1 prisão em flagrante;
- 52 celulares apreendidos;
- R$ 9.735 em dinheiro;
- 105 pedras de crack;
- 17 porções de maconha;
- 1 simulacro de arma de fogo.

A comandante-geral da PMMG, Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, reforçou que a operação não tem prazo para encerrar.
“A Operação Cerco Fechado não tem data para terminar. As forças de segurança permanecem atuando de forma integrada para impedir a tomada de territórios em Minas Gerais.”

Polícia Civil aponta estrutura criminosa e lideranças
A Polícia Civil contou com apoio de unidades de Montes Claros e Belo Horizonte, incluindo canil, coordenação aerotática, Grupo de Operações Especiais e setores de inteligência.
Ao todo, foram cumpridos 53 mandados judiciais e realizadas 10 prisões.
Entre os presos está um investigado apontado pelas forças de segurança como integrante de uma organização criminosa de atuação nacional.
O chefe-adjunto da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado-geral Aloísio Daniel Fagundes, destacou a importância da integração entre as instituições e do trabalho de inteligência desenvolvido ao longo dos últimos meses.
“A operação Cerco Fechado contou com o apoio das unidades da Polícia Civil em Montes Claros e Belo Horizonte, mobilizando cerca de 150 policiais civis. Essa integração, aliada ao trabalho de inteligência desenvolvido em conjunto com as demais forças de segurança, permitiu identificar lideranças dos grupos investigados e ampliar a capacidade de resposta do Estado ao crime organizado.”

Investigação teve origem em homicídios
Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado de meses de levantamentos, monitoramentos e análises de inteligência realizados pelas forças de segurança.
As investigações tiveram início a partir da apuração de homicídios registrados nos bairros Santos Reis e Jardim Primavera, em Montes Claros. Com o avanço dos trabalhos, foi possível identificar integrantes dos grupos criminosos, áreas de atuação, conexões entre investigados e a estrutura utilizada para a prática de crimes.
Os elementos reunidos ao longo da investigação subsidiaram os pedidos de medidas cautelares deferidas pela Justiça.
Atuação da Polícia Federal e integração das forças
A Polícia Federal atuou em conjunto com as demais forças de segurança, prestando apoio operacional e de inteligência por meio do Grupo de Capturas (GECAP), cumprindo mandados e reforçando as ações de enfrentamento ao crime organizado.
Durante a coletiva, representantes da corporação destacaram a importância da integração entre os órgãos de segurança pública.
“Se o crime atua de forma organizada, o Estado não pode atuar de forma fragmentada.”
Indícios de facções e controle territorial
Durante a coletiva, representantes das forças de segurança apontaram que as investigações identificaram áreas com sinais de controle territorial do tráfico de drogas e simbologias associadas ao Comando Vermelho, incluindo pichações e referências visuais em redes sociais.
Segundo os setores de inteligência, os locais apresentavam características de governança criminal, embora não haja confirmação de uma única facção dominante em todas as áreas investigadas.
Mandados ligados a homicídios
A Delegacia de Homicídios também participou da operação e cumpriu:
- 12 mandados de busca e apreensão relacionados a um homicídio na região do bairro Conferência Cristo Rei;
- 2 mandados ligados a um homicídio ocorrido no bairro Jardim Primavera.
As investigações seguem sob a nova legislação de combate às organizações criminosas violentas, que prevê responsabilização também por intimidação armada e domínio social estruturado.



Drogas, armas e materiais apreendidos
Durante a operação, foram apreendidas porções de maconha, cocaína e crack, uma arma de fogo, munições, celulares, um veículo, dinheiro em espécie e outros materiais considerados relevantes para as investigações.
Todo o material recolhido passará por análise das equipes de investigação e inteligência, podendo contribuir para a identificação de outros envolvidos e para novas fases da operação.

Resultados finais em Montes Claros
Somando as atuações das forças de segurança, o balanço da operação em Montes Claros registra:
- 10 prisões;
- cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão;
- cumprimento de cinco mandados de prisão;
- cinco prisões em flagrante;
- apreensão de drogas, armas, munições, celulares, dinheiro e materiais ligados a organizações criminosas.
Operação continua
As forças de segurança reforçaram que a Operação Cerco Fechado é permanente e não possui prazo para encerramento.
Novas fases já estão previstas para Montes Claros e outras regiões do estado, enquanto o material apreendido continua sendo analisado para subsidiar o avanço das investigações.
O nome da operação faz referência à estratégia adotada pelas forças de segurança para atingir simultaneamente os alvos identificados durante os levantamentos de inteligência, restringindo a atuação dos grupos criminosos e ampliando a efetividade das ações de repressão qualificada.





