As tradicionais festas juninas chegam em 2026 com um ingrediente a mais no orçamento dos consumidores: o aumento no preço dos produtos típicos. Em Montes Claros, levantamento do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros aponta que a chamada “Cesta Junina” teve reajuste médio de aproximadamente 8% em comparação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com a professora Vânia Vilas Boas, coordenadora do Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-Moc), a inflação acumulada no município nos cinco primeiros meses de 2026 chegou a 3,24%, impactando diretamente os custos dos produtos mais consumidos nesta época.
Segundo a economista, a alta é resultado de uma combinação de fatores, como inflação acumulada dos alimentos nos últimos 12 meses, aumento nos custos de transporte e logística, elevação das despesas de produção agrícola e maior procura pelos itens típicos durante o período festivo.
As festas juninas, além de manterem viva uma das principais tradições culturais do país, também movimentam setores importantes da economia local, como alimentação, bebidas, vestuário e decoração. Por isso, o monitoramento dos preços se torna essencial para avaliar os impactos no orçamento familiar.
O relatório elaborado pela Unimontes analisou 27 itens tradicionalmente consumidos nas comemorações, entre eles carne de sol, cachaça, farinha de mandioca, milho verde, queijo curado, rapadura, amendoim, leite condensado, vestimentas e artigos de decoração.
Entre os produtos que mais subiram no período, destaque para a batata inglesa, com alta de 16%, seguida pela cebola, que teve aumento de 14%, e a rapadura, com elevação de 11,25%. O amendoim também registrou alta expressiva, de 9,40%.
Outros itens que ficaram mais caros foram a carne de sol (4,51%), cachaça (4,12%), farinha de mandioca (3,70%), queijo curado (4,20%) e especiarias (4,12%).
Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda nos preços, trazendo certo alívio ao consumidor. Os ovos lideraram a redução, com recuo de 14%, seguidos pela costela bovina (-9,15%), óleo de soja (-8,42%), açúcar (-4,02%) e milho de pipoca (-3,12%).
Segundo Vânia Vilas Boas, as oscilações refletem principalmente questões climáticas, variações de safra, custos logísticos e até fatores cambiais, que influenciam diretamente o abastecimento e a formação dos preços.
A orientação para os consumidores é pesquisar antes de comprar, já que a diferença de valores entre marcas e estabelecimentos pode ultrapassar 12%. O planejamento antecipado, especialmente para produtos in natura, também é apontado como estratégia importante para economizar durante os festejos.





