A nova política de segurança pública em Minas Gerais avança no enfrentamento ao crime organizado com a implantação de um modelo mais rigoroso na unidade prisional de Francisco Sá. A penitenciária, que já era a única de segurança máxima do estado, passa a ser o projeto piloto de um novo formato de gestão voltado a presos faccionados e de alta periculosidade.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (09), durante coletiva na Região Integrada de Segurança Pública (RISP), em Montes Claros.
A unidade, que já abriga criminosos ligados a facções, entra agora em fase de implantação de um conjunto de medidas que visam ampliar o controle interno e impedir a comunicação ilícita com o meio externo.
Entre as principais mudanças está o fim do contato físico durante visitas. Após o período de adaptação, os encontros entre presos e familiares passarão a ocorrer exclusivamente por meio de interfones.
Outra alteração significativa envolve a alimentação. Atualmente, os detentos recebem quatro refeições diárias. Com o novo modelo, o Estado passará a fornecer uma quinta refeição, o que também implicará na proibição da entrada de alimentos levados por familiares, medida que reforça a segurança e evita a entrada de materiais ilícitos.
A penitenciária também passa a contar com um alto sistema de monitoramento, com vigilância por circuito fechado de televisão (CFTV) e acompanhamento contínuo por equipes especializadas. Além disso, foram instalados bloqueadores de sinal para impedir o uso de aparelhos celulares dentro da unidade, um dos principais meios de comunicação do crime organizado.
Os protocolos de revista de visitantes foram reforçados e padronizados, tornando o controle de acesso ainda mais rigoroso. A operação inclui ainda logística com viaturas adequadas e treinamento específico para policiais penais, voltado ao manejo de presos de alta periculosidade.
De acordo com o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, a iniciativa representa uma mudança estratégica no sistema prisional. Já o diretor-geral da Polícia Penal, Leonardo Mattos Alves Badaró, destacou que o objetivo é isolar lideranças criminosas e enfraquecer a atuação das facções.
Com a experiência em Francisco Sá, o governo estadual pretende avaliar os resultados e, posteriormente, expandir o modelo para outras unidades prisionais de Minas Gerais.





