Para Leh Santos, jornalista do WebTerra. Seu comentário inspirou esta coluna.
Há palavras que nascem para o instante, e há palavras que atravessam o tempo.
As colunas, quando escritas com verdade, não pertencem apenas ao dia em que são publicadas. Elas seguem adiante. Permanecem, como me disse Leh.
Voltam a ser lidas quando o tempo já mudou as pessoas, as cidades e os sentimentos.

Léh Santos, com a sensibilidade de quem compreende a força da comunicação, me escreveu algo que ecoou profundamente em mim: a internet é uma biblioteca aberta, uma memória infinita.
E é exatamente isso.
Cada texto publicado deixa de ser apenas um conjunto de frases para se transformar em registro, testemunho e herança afetiva.
As palavras, uma vez lançadas ao mundo, deixam de pertencer somente ao autor e passam a fazer parte da memória coletiva.
Talvez um dia Lili, ao crescer e entender ainda mais da vida, encontre essas colunas, as dedicatórias, os sentimentos ali guardados.
E, ao lê-las, reconheça não apenas um texto, mas a presença viva de uma história, de um tempo e de um amor que resistiu aos dias.

A escrita tem esse poder raro: preservar o invisível.
Ela guarda emoções que a voz não consegue repetir com a mesma intensidade.
Conserva lembranças que a memória humana, por vezes, deixa escapar. Faz do efêmero algo duradouro.
Décadas e décadas poderão passar.
Ainda assim, um texto poderá ser reencontrado, relido, reinterpretado, sentido de novo.
É como se cada coluna fosse uma pequena cápsula do tempo, esperando o leitor certo, no momento certo, para reacender memórias e sentimentos.
Escrever, portanto, é mais do que comunicar.
É permanecer.
É deixar um rastro de alma no mundo.
E talvez seja por isso que a literatura, o jornalismo e a crônica se encontrem em um mesmo ponto: todos lutam contra o esquecimento.
No fundo, cada coluna é um gesto de permanência.
Uma memória infinita.





