Há momentos em que as palavras falham.
O poeta, que vive de versos, metáforas e imagens, de repente se vê diante de um sentimento grande demais para caber na linguagem.
A emoção transborda antes de se organizar em frases.
E então, quando faltam palavras e versos para expressar o que vai na alma, o poeta chora.
O choro é uma forma silenciosa de poesia.

Há lágrimas que nascem da saudade, outras da alegria inesperada, outras ainda de uma mistura de sentimentos que o coração não consegue separar.
O poeta sente tudo de forma mais intensa, porque observa o mundo com o olhar aberto e a alma desarmada. Ele não passa pela vida apenas vendo, ele absorve.
Talvez por isso o choro não seja fraqueza para quem sente profundamente. Pelo contrário. É uma espécie de purificação da alma.
Como uma chuva de verão que lava o pó das estradas e devolve o brilho às folhas, as lágrimas também limpam o coração.
Depois de chorar, algo dentro de nós se reorganiza.
A dor encontra lugar, a saudade ganha forma e o amor, mesmo quando machuca, revela sua grandeza.
O choro nos lembra que estamos vivos, que ainda somos capazes de sentir, de nos emocionar, de nos comover com a beleza e com as perdas inevitáveis da vida.
Há quem passe pelo mundo sem se permitir sentir demais. Talvez para não sofrer.
Mas quem se protege de sentir também se protege de viver plenamente.

O poeta não sabe viver assim.
Ele se entrega ao que sente. Ama com intensidade, sofre com profundidade, se encanta com pequenos detalhes: o canto de um pássaro, o cheiro da terra molhada, uma lembrança antiga que visita o coração numa tarde qualquer.
E quando tudo isso se torna grande demais para caber nos versos, restam as lágrimas.
Mas é curioso: muitas vezes, depois do choro, nascem os versos mais bonitos.
Porque o choro abre caminhos dentro da alma.
Ele quebra as represas do silêncio e permite que a emoção encontre passagem. O poeta então volta à palavra, mas agora com o coração lavado e mais verdadeiro.
Talvez seja por isso que a poesia mais profunda quase sempre nasce de sentimentos reais.
Quem nunca chorou por amor, por saudade, por gratidão ou por uma lembrança que dói e ao mesmo tempo aquece o coração, dificilmente compreenderá a verdadeira natureza da poesia.
O choro, afinal, não é o fim das palavras.
É apenas o momento em que a alma fala antes delas.
E quando o poeta volta a escrever, os versos já vêm carregados de vida, emoção e verdade, como se cada lágrima tivesse deixado um pouco de luz no caminho das palavras.





