Entenda os riscos associados ao uso de medicamentos ilegais e sem precrição médica.
(Foto: Reprodução/Freepik)
Casos recentes de complicações médicas envolvendo canetas emagrecedoras sem registros no Brasil acendem o alerta sobre o uso de medicamentos ilegais ou sem prescrições médicas.
Em Belo Horizonte, uma mulher de 42 anos está internada, em estado grave, desde dezembro, após apresentar complicações devido ao uso de uma caneta emagrecedora comercializada de forma irregular.
O quadro começou com fortes dores abdominais e se agravou, comprometendo a musculatura, os movimentos e até mesmo o funcionamento de órgãos.
Uso indiscriminado de canetas emagrecedoras irregulares pode ocasionar complicações médicas. (Foto: Caroline Morais/ Ministério da Saúde)
Proibição da Anvisa
A Agência Nacional de Saúde (Anvisa) publicou uma resolução que proíbe a venda de canetas emagrecedoras sem registro no Brasil. O documento determinou a apreensão de medicamentos à base de tirzepatida, de lotes datados a partir de janeiro de 2020, das marcas Synedica e TG; e de retatrutida, de todas as marcas e todos os lotes.
Segundo a Agência, os produtos citados estavam sendo comercializados sem o devido registro, notificação ou cadastro. Além da venda, também foram proibidos a distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso dos produtos.
Para a endocrinologista Isis Gabriella, a decisão é importante porque protege a saúde da população, ao restringir casos de falsificação, adulteração ou comercialização de produtos clandestinos, que fogem ao controle e à regulamentação brasileira.
Riscos à saúde
O uso indiscriminado de medicamentos sem registro, impulsionado por promessas de emagrecimento rápido nas redes sociais, representa sérios riscos à saúde da população.
Sem aprovação dos órgãos reguladores, esses produtos não oferecem garantias de qualidade. Segundo a endocrinologista Isis Gabriella, a ausência de controle torna esses medicamentos potencialmente perigosos:
“Medicações sem registro não possuem nenhuma garantia sobre seu conteúdo, pureza, dose real e segurança, podendo causar danos inesperados à saúde do paciente. Além disso, não há como monitorar eventos adversos relacionados ao uso dessas medicações, o que impossibilita a adoção de medidas regulatórias em relação aos produtos, caso necessário”, explica.
No caso do emagrecimento, a nutricionista Tamyris Souza alerta sobre possíveis complicações advindas do uso desses medicamentos, como naúseas, diarreia, constipação e até mesmo hipoglicemia e perda excessiva de massa muscular. “Há também riscos mais graves, como pancreatite, alterações na vesícula biliar e impacto negativo sobre a saúde mental, especialmente quando o medicamento é usado sem critério, em doses inadequadas ou por pessoas que não têm indicação clínica“, alertou.
“Medicações sem registro não possuem nenhuma garantia sobre seu conteúdo, pureza, dose real e segurança”- Isis Gabriella, endocrinologista. (Foto: Arquivo Pessoal)
Importância da prescrição médica
As especialistas reforçam que o uso de medicamentos para emagrecimento deve sempre ocorrer com prescrição e acompanhamento profissional, considerando as particularidades de cada paciente.
A nutricionista Tamyris Souza destaca que o tratamento precisa ser individualizado e ir além do objetivo estético. Enquanto o médico investiga o histórico clínico, doenças associadas, uso de outros medicamentos e possíveis contraindicações, o nutricionista avalia os hábitos alimentares, a composição corporal e o estado nutricional, construindo estratégias para que o emagrecimento ocorra de forma segura e saudável.
“Sem esse acompanhamento, o medicamento pode mascarar problemas importantes, como compulsão alimentar, alimentação desorganizada ou deficiências nutricionais pré-existentes. O tratamento do excesso de peso não deve focar apenas no número da balança, mas na saúde como um todo, incluindo alimentação adequada, comportamento alimentar, atividade física e bem-estar psicológico”, destacou.
“Emagrecer não deve ser uma corrida contra o tempo, nem uma decisão baseada em modismos.” -Tamyris Souza, nutricionista. (Foto: Arquivo Pessoal)
Para quem faz uso de medicamentos sem registro ou sem prescrição, a endocrinologista Isis Gabriella alerta para a necessidade de procurar um médico, de preferência especialista, o quanto antes, para avaliação e acompanhamento.
É jornalista formada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em 2022, com experiência em videorreportagens, marketing e redação. Acredita na prática jornalística enquanto mediadora das negociações sociais.