Uma iniciativa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) está transformando o modo como estudantes aprendem ciência e, ao mesmo tempo, contribuindo para a saúde pública. Coordenado pelo professor e biólogo Magno Borges, o projeto une teoria e prática para monitorar e reduzir focos do Aedes aegypti no bairro Maracanã — a região que registrou o maior número de casos de chikungunya em Montes Claros em 2023.
A proposta faz parte da chamada Pesquisa para Transformação da Educação Básica Steam, da Fapemig, e envolve uma série de atividades interativas: palestras, oficinas para construção de ovitrampas com garrafas pet, coleta de materiais recicláveis, mapeamento ambiental, instalação das armadilhas e identificação de ovos e mosquitos utilizando lupas e microscópios. Os alunos também registram todos os dados no aplicativo Epicollect5 e realizam o Teste de Alfabetização Científica Básica antes e depois das ações, permitindo avaliar o impacto no aprendizado.
Para Magno Borges, mestre em Parasitologia e doutor em Ciência Animal, levar a ciência para fora da sala de aula e conectá-la ao cotidiano é essencial para fortalecer o letramento científico no país. Ele lembra que o Brasil ainda enfrenta desafios nesse campo, apontados pelo desempenho no exame Pisa, e que iniciativas como essa reforçam o enfoque da BNCC ao integrar Ciência, Tecnologia e Sociedade.
O projeto promete resultados concretos em duas frentes. Na saúde pública, o mapeamento dos mosquitos deve ajudar a entender a distribuição espacial do Aedes aegypti e do Aedes albopictus, informação valiosa para ações preventivas nos territórios. Na educação, a expectativa é ampliar o interesse dos estudantes pela ciência, desenvolver pensamento crítico e aproximar os jovens de problemas reais da comunidade. A iniciativa também servirá de modelo para a criação de materiais que poderão ser replicados em outras escolas mineiras.
Mobilização estadual contra o mosquito
Neste sábado (29/11), o Governo de Minas realiza o Dia D da campanha Minas Unida contra o Aedes, com mutirões, ações educativas e mobilização social em parceria com as unidades regionais da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).
O objetivo é prevenir antes que os casos aumentem. Desde 2023, o Estado vem intensificando estratégias antecipadas de combate às arboviroses — como dengue, zika e chikungunya — especialmente no período que antecede as chuvas. Em novembro, municípios de todas as regiões reforçam ações de limpeza, orientação à população e recolhimento de materiais que possam servir como criadouros.





