A elegância simples da autenticidade

Confira a coluna Aprenda com quem Sabe desta semana, por Lete Lucena

Em tempos de discursos polidos, filtros brilhantes e opiniões moldadas para agradar, a palavra autenticidade parece ter sido reduzida a bordado bonito, mas pouco usado no tecido das nossas relações. No entanto, ser autêntico continua sendo uma das formas mais sofisticadas — e mais raras — de usar a língua portuguesa e de se ocupar o mundo.

Autenticidade não tem a ver com dizer tudo o que se pensa, sem cuidado ou sutileza. Isso é “sincericídio”, incoveniência, falta de educação, não virtude. Ser autêntico é alinhar expressão e intenção; é permitir que aquilo que dizemos carregue a marca do que realmente somos. A Língua, afinal, é o espelho do pensamento, e poucos espelhos revelam tanta verdade.

Quando alguém fala de forma autêntica, há tipo de música na frase: o ritmo não treme, as palavras não parecem emprestadas, o sentido chega limpo ao outro. Não é necessário rebuscamento, mas, sim, presença. O leitor — ou o ouvinte — sente quando uma frase foi selecionada para impressionar e quando ela nasceu apenas para comunicar. A primeira cansa; a segunda acolhe.


E há ainda detalhe: autenticidade não se improvisa. Ela se constrói. Exige coragem para sustentar a própria voz e conhecimento para reconhecer quando essa voz está se escondendo atrás de chavões. Ser autêntico também é exercício de Língua: é escolher verbos vivos, substantivos honestos e adjetivos que não enfeitem mais do que esclarecem.

O que aprendemos com escritores, professores e grandes comunicadores é simples: quanto mais genuína a expressão, mais poderosa a mensagem. Porque a autenticidade é, no fim, forma de clareza — e clareza é o maior presente que alguém pode oferecer ao outro numa conversa.

Da próxima vez que for escrever, falar ou se apresentar ao mundo, experimente tirar o peso do “parecer” e vestir apenas o que é. Descubra que a Língua Portuguesa, quando usada de forma autêntica, não só revela quem somos, como também permite que sejamos melhor compreendidos.

E é aí que mora a verdadeira maestria.

Aprenda com quem sabe!