Outro dia, fiquei pensando na quantidade de coisas que tentamos ensinar aos nossos filhos. Ensinamos a cumprimentar, a esperar a vez, a olhar para quem fala, a responder perguntas, a brincar com outras crianças. Ensinamos como se comportar à mesa, numa festa, na escola. E, quando finalmente sobra algum tempo para brincar, lá estamos nós, com mais alguma coisa para ensinar.
— Que cor é essa?
— Quantos carrinhos você tem?
— Agora é a vez da mamãe!
— Vamos brincar de outra coisa?
Às vezes, tenho a impressão de que nós, mães atípicas, nos transformamos em terapeutas de plantão. A brincadeira vira estimulação, o passeio vira treino de habilidades sociais e até uma conversa despretensiosa pode terminar numa sessão improvisada de perguntas e respostas.
Tudo com a melhor das intenções. Queremos que nossos filhos aprendam, conquistem autonomia, façam amigos e participem da vida em sociedade. Mas, no meio de tanto esforço para ensiná-los a viver no nosso mundo, uma pergunta começa a me incomodar: quanto tempo dedicamos a conhecer o mundo deles?
Mateus adora novelas e filmes. E uma das coisas de que gosto é assistir com ele. Sentamos juntos, acompanhamos as histórias, fazemos comentários sobre as cenas, rimos de alguma situação engraçada. Às vezes, ele coloca suas músicas preferidas e eu entro na dança.
Estou falando de simplesmente viver o que existe de interessante nos momentos que são tão interessantes para eles.
Queremos que participem das nossas conversas, das nossas festas, das nossas brincadeiras. Queremos que compreendam nossas regras, nossos gestos, nossos códigos sociais. Mas, quando eles nos convidam para uma experiência que não compreendemos, muitas vezes tentamos imediatamente modificá-la.
E talvez essa seja uma das partes mais difíceis para nós, mães que aprendemos a aproveitar cada oportunidade para estimular o desenvolvimento.
Não precisamos transformar cada brincadeira numa tarefa, nem cada silêncio numa pergunta.
Talvez, antes de ensinar meu filho a entrar no meu mundo, eu precise aprender a conhecer e apreciar o dele.
E, pensando bem, Mateus tem me ensinado isso de uma maneira muito particular. Quando me chama para assistir a uma novela, um filme ou uma música, não está apenas escolhendo o que vamos fazer juntos. Está me incluindo nas coisas que lhe dão prazer. Nesses momentos, acontece o contrário: é Mateus quem toma a iniciativa, quem escolhe e quem me convida a participar.
Nesse momento, sou incluída no melhor dos mundos: o dele.





