Hoje, quando penso sobre o passado da maternidade atípica. Penso nas mulheres que criaram filhos com deficiência antes de nós e cujas histórias quase não chegaram até aqui.
Não quero romantizar o sofrimento delas. Muito menos julgá-las usando o conhecimento que temos hoje.
Quero apenas reconhecer que existe uma história da maternidade atípica que foi pouco contada.
Talvez agora estejamos escrevendo outro capítulo.
Não porque finalmente aprendemos a ser as mães certas.
Mas porque nossos filhos estão mais presentes no mundo, nós estamos falando mais e eles também começaram a falar por si mesmos.
Talvez uma das maiores mudanças de nossa geração esteja justamente aí: começamos a ver.
Hoje há mais crianças com deficiência nas escolas. Há mais famílias falando publicamente. Há associações, grupos, redes sociais. E, sobretudo, existem cada vez mais adultos com deficiência falando por si mesmos.
Isso muda alguma coisa dentro de uma mãe.
Porque existe uma diferença enorme entre um profissional explicar como poderá ser o desenvolvimento de seu filho e você encontrar uma pessoa adulta com a mesma condição dizendo em todos os lugares . Ela não precisa representar o futuro do seu filho. Nenhuma pessoa com deficiência representa todas as outras.
Mas sua existência amplia o horizonte.
Mostra que há futuros possíveis.
E talvez seja essa a diferença que eu mais gostaria de deixar para a próxima geração:
que uma mãe de uma criança com deficiência não precise mais procurar o futuro no escuro.
Que possa olhar ao redor e encontrar pessoas.
Histórias.
Possibilidades.
E, principalmente, consigam ver seus próprios filhos ocupando lugares onde, durante muito tempo, quase ninguém esperava encontrá-los.





