Talvez por isso eu não consiga olhar para o rio apenas como um curso d’água. Para mim, ele é memória, infância, juventude, histórias, encontros e travessias.
Foi às margens desse rio que aprendi que a vida também é caminho. Conheci seus poços, suas pedras, suas águas e os lugares onde a natureza parecia conversar com a gente.



Um rio deixa de ser apenas um curso d’água quando carrega as lembranças de quem cresceu às suas margens.
Hoje, quando vejo o Rio Salinas sofrendo, alguma coisa dentro de mim também sofre.
E é por isso que luto diariamente para recuperar o rio.

Não é apenas uma luta ambiental. É uma luta pela memória de um povo, pela dignidade da nossa terra e pelo direito das futuras gerações de conhecerem um Rio Salinas vivo.
Quero que um dia nossos filhos e netos possam caminhar às suas margens e dizer:
“Este rio voltou a correr cristalino como foi um dia.



E talvez, naquele dia, minhas lágrimas já não sejam de tristeza.
Serão de alegria.
Porque algumas lutas nascem da razão, mas outras nascem do amor.
E eu luto pelo Rio Salinas porque uma parte de mim também corre dentro dele.





