Nilton Loyola, conhecedor e apresentador dos personagens, causos e memórias de Salinas e do Cerrado

Confira a coluna Sal da Terra desta semana, por Milton Santiago

Nilton enxerga histórias, pessoas, memória e vida onde outros podem ver apenas uma paisagem.

Antes mesmo de se tornar um garimpeiro de histórias, apresentador de personagens e caçador de causos, Nilton teve seus primeiros mestres em Salinas e no próprio Cerrado: seus pais, ORÁCIO e TINA.


Foi no convívio com ORÁCIO e TINA, entre a terra, as veredas, as porteiras, as casas simples e a sabedoria da vida rural, que aprendeu a olhar para além da paisagem.

Aprendeu a observar, escutar e reconhecer o valor das pessoas e das histórias que vivem em cada canto da nossa terra.

Desses ensinamentos, herdou mais que memórias: herdou um jeito de enxergar o mundo com simplicidade, curiosidade, respeito e atenção às histórias que o tempo vai deixando pelo caminho.

Ao longo da vida, Nilton fez muitas travessias pelo Cerrado. E aprendeu que, atrás de cada casinha simples, de cada porteira, estrada de terra ou varanda, existe uma história esperando para ser contada.

Foi ele quem me apresentou muitos desses personagens: homens e mulheres que carregam no rosto as marcas do tempo e, na fala, a memória de uma terra. Por isso, algumas páginas da minha obra também pertencem a ele.

Mas o trabalho de Nilton vai além de apresentar pessoas. Ele resgata histórias esquecidas, memórias adormecidas e acontecimentos que poderiam desaparecer com o passar dos anos. Ao fazer isso, presta um importante serviço à comunidade de Salinas e à preservação da memória de Salinas e do nosso Cerrado.

Niltinho, como é carinhosamente chamado, tem um talento especial para encontrar preciosidades humanas onde muitos talvez enxergassem apenas pessoas passando. É um verdadeiro garimpeiro de histórias de Salinas e do Cerrado.

E seus personagens não são apenas humanos: No Cerrado, cada ser tem uma história: pássaros, animais, árvores, rios e frutos. Tudo faz parte de um grande livro vivo, onde a natureza também escreve sua própria história.

Eu e Nilton entramos nessa travessia com a experiência vivida e o olhar atento. Ele encontra, apresenta e revela personagens; eu recolho essas histórias, transformando-as em palavras, memória e poesia.

Por isso, registrar o trabalho de Nilton Loyola é também reconhecer alguém que ajuda Salinas e o Cerrado a não esquecerem de si mesmos.

Há pessoas que nos apresentam lugares. Outras nos apresentam pessoas. Nilton Loyola pertence a essa segunda categoria.
E algumas das melhores histórias que encontrei pelo caminho começaram justamente com uma apresentação feita por ele.

Nossa travessia continua: ele garimpa histórias, eu as transformo em palavras, e Salinas e o Cerrado nos ensinam a escutar.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.