Nilton enxerga histórias, pessoas, memória e vida onde outros podem ver apenas uma paisagem.
Antes mesmo de se tornar um garimpeiro de histórias, apresentador de personagens e caçador de causos, Nilton teve seus primeiros mestres em Salinas e no próprio Cerrado: seus pais, ORÁCIO e TINA.




Foi no convívio com ORÁCIO e TINA, entre a terra, as veredas, as porteiras, as casas simples e a sabedoria da vida rural, que aprendeu a olhar para além da paisagem.
Aprendeu a observar, escutar e reconhecer o valor das pessoas e das histórias que vivem em cada canto da nossa terra.
Desses ensinamentos, herdou mais que memórias: herdou um jeito de enxergar o mundo com simplicidade, curiosidade, respeito e atenção às histórias que o tempo vai deixando pelo caminho.




Ao longo da vida, Nilton fez muitas travessias pelo Cerrado. E aprendeu que, atrás de cada casinha simples, de cada porteira, estrada de terra ou varanda, existe uma história esperando para ser contada.
Foi ele quem me apresentou muitos desses personagens: homens e mulheres que carregam no rosto as marcas do tempo e, na fala, a memória de uma terra. Por isso, algumas páginas da minha obra também pertencem a ele.
Mas o trabalho de Nilton vai além de apresentar pessoas. Ele resgata histórias esquecidas, memórias adormecidas e acontecimentos que poderiam desaparecer com o passar dos anos. Ao fazer isso, presta um importante serviço à comunidade de Salinas e à preservação da memória de Salinas e do nosso Cerrado.


Niltinho, como é carinhosamente chamado, tem um talento especial para encontrar preciosidades humanas onde muitos talvez enxergassem apenas pessoas passando. É um verdadeiro garimpeiro de histórias de Salinas e do Cerrado.

E seus personagens não são apenas humanos: No Cerrado, cada ser tem uma história: pássaros, animais, árvores, rios e frutos. Tudo faz parte de um grande livro vivo, onde a natureza também escreve sua própria história.
Eu e Nilton entramos nessa travessia com a experiência vivida e o olhar atento. Ele encontra, apresenta e revela personagens; eu recolho essas histórias, transformando-as em palavras, memória e poesia.
Por isso, registrar o trabalho de Nilton Loyola é também reconhecer alguém que ajuda Salinas e o Cerrado a não esquecerem de si mesmos.
Há pessoas que nos apresentam lugares. Outras nos apresentam pessoas. Nilton Loyola pertence a essa segunda categoria.
E algumas das melhores histórias que encontrei pelo caminho começaram justamente com uma apresentação feita por ele.
Nossa travessia continua: ele garimpa histórias, eu as transformo em palavras, e Salinas e o Cerrado nos ensinam a escutar.





