Fechamento de lojas no Centro e migração para os bairros: o que está por trás da mudança no comércio de Montes Claros?

Altos custos, queda nas vendas, compras pela internet e crescimento dos polos comerciais nos bairros mudam a dinâmica do varejo e desafiam o comércio tradicional
Foto: Liza Mendes

Quem passa pelo Centro de Montes Claros encontra um cenário cada vez mais comum: vitrines vazias, placas de “aluga-se” e imóveis comerciais fechados. Ao mesmo tempo, bairros da cidade registram a abertura de novos estabelecimentos, mostrando uma mudança na dinâmica do comércio local.

O movimento tem levado comerciantes a encerrar atividades ou transferir os negócios para outras regiões. Entre os fatores estão os custos elevados, a queda nas vendas e as mudanças nos hábitos de consumo.

Custos pesam e levam comerciantes a mudar

A empreendedora Aldaiza Francisca Mendes decidiu encerrar as atividades de uma loja de vestuário feminino após 8 anos de funcionamento. Segundo ela, os altos custos e a redução das vendas presenciais, após a pandemia da Covid-19, tornaram a manutenção do negócio inviável.


“Após a pandemia, a alta do aluguel e das taxas, somada à redução do fluxo de pessoas e às mudanças no comportamento de compra, tornou insustentável manter o ponto.”

Já a lojista Leidy Evangelista optou por transferir a loja para um bairro da cidade. A mudança, segundo ela, permitiu reduzir despesas e oferecer mais comodidade aos clientes.

“A nova localização oferece mais comodidade aos clientes, facilita o acesso e permite manter preços mais competitivos, e me possibilita investir na qualidade dos produtos e no atendimento aos meus clientes”, declarou.

Foto: Liza Mendes

Fenômeno vai além de Montes Claros, diz CDL

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Ernandes Ferreira, a mudança não tem uma causa única e acompanha uma transformação observada em grandes cidades brasileiras e em outros países.

Entre os fatores, segundo Ernandes, estão a expansão dos polos comerciais nos bairros, o crescimento das compras pela internet, a redução do poder de compra, o endividamento das famílias e as altas taxas de juros.

“Esse tema do comércio no centro é um tema de abrangência nacional e até mundial. A gente tem visto outras cidades com esses mesmos movimentos. O comércio do centro continua ativo, mas está sendo partilhado com outros polos comerciais das cidades”, afirmou.

Apesar da mudança no perfil do consumo, a CDL considera o Centro estratégico para a economia de Montes Claros. Para recuperar a atratividade da região, o órgão aponta ações conjuntas entre comerciantes, proprietários de imóveis e poder público.

O que pode ajudar o comércio do Centro?

  • Diversificar os negócios: ampliar a oferta de alimentação, entretenimento, serviços e novos segmentos.
  • Fortalecer a união entre comerciantes: promover campanhas, eventos e ações conjuntas para atrair consumidores.
  • Adequar os aluguéis: valores mais compatíveis com a realidade do mercado podem reduzir a quantidade de imóveis vazios.
  • Valorizar o Centro: investir no patrimônio histórico, turismo e novos atrativos para aumentar o fluxo de pessoas.

Centro enfrenta o desafio de se reinventar

A mudança não significa, necessariamente, a perda da importância do Centro, mas revela a necessidade de adaptação ao novo comportamento do consumidor. Para a CDL a diversificação do comércio, a redução de custos, a valorização da região e a atuação conjunta podem ajudar a recuperar a atratividade do Centro e fortalecer o comércio tradicional de Montes Claros.