Faleceu irmã Maria Luiza, eterna redentora dos excluídos e desasistidos de Januária e região

Confira a coluna Em Cima do Lance desta semana, por José Maria Guedes

Abalando a sociedade januarense e região, Numa perda irreparável, faleceu em Florianópolis /SC, aos 96 anos, na madrugada de sexta-feira (13/03), a eterna mãe das crianças carentes e dos desassistidos, excluídos, entre tantos outros atributos, Irmã Maria Luiza de Andrade, um lenda religiosa da Divina Providência.

Este grande exemplo de ser humano, foi fundadora e dirigente da Associação Comunitária o Pequeno Davi, em Januária, que restabeleceu a vida para milhares de crianças desnutridas. Um grande exemplo de legados e trabalhos para com os mais fragilizados.


Este patrimônio religioso e social nasceu em Santa Catarina e tornou-se januarense de coração. Carregando no peito e na alma o dom divino de viver pelo próximo, com um olhar especial aos mais carentes, há mais 50 anos junto com as missionárias e saudosas Vera Ribas e Maria de Lourdes Telles dos Santos, desbravando o sertão mineiro, vindo de Santa Catarina, enviadas pela Congregação das Irmãs da Divina Providência e trazidas pela Madre Sabina, aportaram em Januária, com a sublime missão de instalar-se na jurisdição da Mitra Diocesana de nossa diocese, dando-lhe vida por meio de ações de amparo e inclusão social.
Em 28 de fevereiro de 1967, as missionárias se apresentaram ao então bispo diocesano Dom João Batista Przklenk, MSF. Um dia histórico, registrando um capítulo especial na caminhada de evangelização e promoção social do povo barranqueiro.

Neste dia abençoado, com a altivez dos vapores apitando no cais da cidade, anunciando boas novas à margem esquerda do rio São Francisco, se deu a pujante caminhada, com olhar fraterno para as camadas mais carentes e desprotegidas de nossa cidade.
Abnegadas, como soldados nos campos de batalha, de tijolo em tijolo construíram um legado de estrutura social, abraçando Januária (os mais carentes e desprotegidos da sociedade), com a ternura de uma mãe amamentando seu frágil rebento. Como bem diziam e praticavam: “Quem acolhe o menor, a mim acolhe”, sendo o lema seguro da criação do Servir e do Pequeno Davi.
Neste cenário, construído por cinco décadas, uma cesta de positividade, transformando carências em oportunidades de servir ao próximo, alicerçada pelos serviços sociais das resolutas Irmãs da Divina Providência.

UMA MOSTRA DAS REALIZACOES DA IRMÃ MARÍA LUÍZA JUNTO AS OUTRAS DUAS RELIGIOSAS EM JANUÁRIA

– Atendimento e acompanhamento aos meninos de rua, grupo de carregadores de malas, grupo de engraxates;
– Início do SERVIR;
– Visita às famílias da cidade, levantamento da realidade;
– Cursos de culinária, corte de costura e bordados;
– Formação de catequistas na Catedral e em toda a Diocese;
– Visita às capelas do interior;
– Atendimento humano e espiritual aos mendigos;
– Formação de liderança de comunidades na Diocese;
– Missão com a juventude;
– Início da Legião de Maria;
– Formação de Clubes de Mães;
– Criação do Pequeno Davi;
– Apoio à Pastoral da Criança;
– Trabalho de promoção humana e alimentação alternativa nas periferias da cidade;
– Fundação da “Farmacinha de Remédios Caseiros Dom de Deus”;
– Cursos de formação integral para famílias carentes;
– Promoção social dos sem teto;
– Pastoral permanente e promoção das famílias nas periferias;
– Catequese;
– Terapias alternativas e saúde natural;
– Pastoral dos Pescadores e Pescadores Artesanais do rio São Francisco.

A bem-aventurada irmã Maria Luiza e demais religiosas, todas descansando nos braços de Deus, são eternas e jamais esquecidas em nossas lembranças e corações.