O esporte sempre foi contado como território de suor, arquibancadas e vitórias. Durante muito tempo, também foi narrado quase sempre no masculino. Essa história mudou e continua mudando, graças à presença cada vez mais forte de mulheres que trabalham, organizam, treinam, comunicam e inspiram dentro e fora das quadras.
Em Montes Claros, elas estão espalhadas por diferentes espaços do esporte, seja na gestão pública, na comunicação, na formação de atletas, na administração e também na memória viva de quem já esteve em quadra. Cada uma, à sua maneira, ajuda a escrever uma nova página dessa história.
E o que se percebe, ao ouvir essas vozes, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é que o protagonismo feminino no esporte não nasce apenas de conquistas. Ele nasce de persistência, de visão e, sobretudo, de coragem para ocupar lugares que por muito tempo pareceram proibidos. Neste dia internacional da mulher, converso com quem aquelas que desempenham um papel fundamental no âmbito esportivo.
Nos bastidores do esporte também existe protagonismo. É o que observa Luiza Mirelle, gerente administrativa da AEESB, que acompanha de perto o crescimento da participação feminina na gestão esportiva.
“Atuo no administrativo do esporte desde 2021 e, nesse período, pude acompanhar de perto o crescimento da presença feminina também na gestão esportiva. Muitas vezes o público enxerga apenas quem está dentro das quadras, mas existe um grande trabalho de organização e planejamento por trás de tudo. Cada vez mais mulheres estão ocupando esses espaços. É muito importante mostrar que o esporte também é lugar de liderança feminina”, contou.
Na Secretaria de Esportes de Montes Claros, Juliana Peixoto vê diariamente uma realidade que simboliza avanços importantes, com mulheres ocupando espaços de decisão e liderança.
“Fazemos parte de um secretariado no qual a presença feminina é sua maioria. Só isso já traduz o reconhecimento da gestão pública em Montes Claros, e assumimos os mais diversos desafios com muito orgulho em prol de uma cidade mais humana e mais inclusiva”, falou.
Para Juliana, o esporte também é um lugar de encontro entre diferentes trajetórias femininas.
“Além da oportunidade de colaborar com o desenvolvimento de Montes Claros, podemos vivenciar a experiência em compartilhar os talentos, as habilidades e as competências com outras tantas mulheres dedicadas. No meu caso específico, essas mulheres estão envolvidas com o esporte: como atletas, gestoras, treinadoras ou mesmo como mães, esposas e filhas torcedoras e incentivadoras. O sentimento é de gratidão.”
Na assessoria de imprensa do Montes Claros Vôlei, Leila Santos vive, na rotina, a missão de contar histórias. Para ela, a comunicação é um instrumento poderoso para transformar realidades e abrir caminhos.
“Acredito que a comunicação tem um papel fundamental no fortalecimento do protagonismo feminino no esporte, principalmente em realidades como a de Montes Claros e em todo o Brasil. Quando escolhemos pautar, dar visibilidade e contar com seriedade as histórias, não estamos apenas divulgando resultados, estamos legitimando talentos e abrindo caminhos. Na nossa região, muitas vezes faltam oportunidades, mas não faltam talentos”, ressaltou.
Segunda ela, é diante dessa narrativa que começa a transformação. “A comunicação tem o poder de revelar essas trajetórias, inspirar outras meninas e reforçar que o esporte também é, sim, lugar de mulher. O protagonismo começa na forma como contamos essas histórias. E, quando a narrativa muda, a realidade começa a mudar junto”, finalizou.
Desafios e valorização da formação feminina no esporte
Ex-atleta e treinadora do Carlão Futsal, Daiany Spínola conhece de perto as barreiras que muitas mulheres enfrentam no esporte, principalmente em modalidades historicamente masculinas.
“Precisamos quebrar esse paradigma de que ex-jogadores tendem a entender mais de gestão, tática do que nós mulheres. Infelizmente, o futebol e o futsal são vistos como esportes masculinos. Já vemos um grande crescimento, onde várias equipes têm mulheres na diretoria, na presidência, o próprio Palmeiras. Acredito que tende a aumentar, principalmente nesta copa que o Brasil vai sediar”, descreveu.
Para Daiany, a transformação começa pela base. “Tudo começa na base. Profissionalização, mais cursos, mais formação. Sempre vai haver dificuldades, mas se começarmos a valorizar mais a formação e incentivar mulheres nas escolinhas, mais oportunidades vão aparecer”, destacou.
A ex-goleira e coordenadora do projeto do Montes Claros Handebol, Francis Almeida, também observa avanços importantes na presença feminina, mas lembra que ainda existem barreiras estruturais a serem superadas.
“A presença feminina no esporte cresceu muito nas últimas décadas, mas ainda existem barreiras estruturais. Durante muito tempo o esporte foi associado ao universo masculino. Isso ainda influencia decisões de contratação, liderança e visibilidade. A mulher cada vez mais está ocupando espaços que a sociedade acha que são para homens”, pontuou.





