Família fica desalojada após cabeça d’água inundar casa na zona rural de Montes Claros

Idoso levou a esposa para um local seguro e, ao voltar ao imóvel para salvar dois cães filhotes, ficou submerso pela água na altura do pescoço. Ele teve de subir em um contêiner com os cachorros para se salvar
Foto: CBMMG/Divulgação
Foto: CBMMG/Divulgação

Uma família ficou desalojada após as fortes chuvas que atingem a Região do Norte de Minas Gerais provocar o fenômeno natural chamado “cabeça d’água” em Riacho Ribeirão, na entrada para Taboas, na zona rural de Montes Claros, no final da tarde dessa sexta-feira (27).

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais foi acionado para atender uma ocorrência envolvendo uma pessoa ilhada, por volta das 17h50, no Chacreamento Alvorada Campestre, na altura do KM 20, nas proximidades da Estrada da Produção.

Alagamento repentino

Segundo informações iniciais, um idoso, de 63 anos, subiu em cima de um contêiner, após ficar ilhado devido a elevação repentina do nível de um curso d’água no local.


Ao chegar, os militares depararam com a vítima, que já estava em local seguro. O homem relatou morar com a esposa dele há um ano e seis meses em uma residência própria, no Chacreamento Alvorada Campestre. O imóvel de alvenaria é térreo e coberto por fibrocimento.

Conforme relato do morador, o alagamento ocorreu repentinamente na área, com rápida elevação do nível da água. Ele disse ainda que, ao perceber que o local seria tomado pela água do córrego da região, levou a mulher dele para um lugar seguro.

Dois filhotinhos salvos

Em seguida, o homem retornou à residência para tentar salvar pertences e animais da família. Ele conseguiu resgatar dois cachorros filhotes e os colocou no interior de um saco, levando-os para uma área segura.

De acordo com o idoso, o casal possui ainda 11 cães adultos, que conseguiram sair das terras e se salvarem ao nadar sozinhos para longe.

A vítima falou que a água atingiu a altura de seu pescoço em certos trechos. Ele percorreu cerca de 50 metros nadando e, em locais mais rasos, deslocou-se a pé sob forte correnteza. Apesar de saber nadar,  o idoso afirmou ter ficado com medo devido à intensidade do fluxo de água. Em dado momento, ele teve de subir com os filhotes em um contêiner existente na propriedade para se salvar.

O morador ficou ilhado na propriedade e após uma rápida redução do nível da água, conseguiu ir para a casa de vizinhos.

Sem vítimas

A guarnição realizou vistoria na residência e adjacências e não foram constatadas vítimas humanas. Durante as diligências, a guarnição realizou o salvamento de um jegue que estava amarrada nas proximidades. O animal foi conduzido para um local seguro.

Conforme os bombeiros militares, ainda em relato, o senhor afirmou que um cão filhote desapareceu e, que possivelmente, teria sido arrastado pela correnteza.

A guarnição não pôde onfirmar a informação até o momento devido à baixa visibilidade no período noturno e ao fato de a área ainda permanecer alagada durante a vistoria, com possibilidade de novos episódios repentinos.

Perdeu tudo

O casal disse que perdeu vários móveis, pertences, mantimentos, além de plantações diversas de hortaliças, entre outros danos materiais.

O homem informou também que comprou o terreno há 1 ano e meio, e que o antigo dono o assegurou que o local não tinha histórico de alagamentos ou inundações.

Contudo, diante do ocorrido, ele disse que vai adotar as providências cabíveis para realizar o destrato da compra, alegando que a terra é imprópria para moradia, uma vez que desconhecia tratar-se de área com características de brejo e suscetíve de enxurradas.

‘Cabeça d’água’

Considerando o relato de rápida elevação do nível de água, a forte correnteza observada, a ausência de precipitação no local no momento dos fatos e a existência de curso d’água próximo, há indícios de que o evento tenha sido ocasionado por um fenômeno conhecido como “cabeça d’água”, decorrente de precipitação em áreas mais elevadas da bacia hidrográfica.

Diante do risco, a guarnição orientou o morador a não retornar a residir no imóvel, pelo menos durante o período chuvoso.

A Defesa Civil de Montes Claros foi acionada pelos Bombeiros para comparecer ao local e prestar apoio aos moradores desalojados.

O casal ficará de forma provisória alojado em uma casa vizinha. Os moradores se prontificaram a acolher e oferecer moradia temporária à família.

Foi informado ainda que, no dia seguinte, o idoso irá retirar seus pertences da casa de alvenaria e irá se mudar para um local chamado “Poço Novo”.

Corpo de Bombeiros alerta

O Corpo de Bombeiros Militar orienta a população a evitar a permanência e a construção de moradias em áreas de risco, como encostas de morros, margens de córregos e regiões sujeitas a inundações e enxurradas, especialmente no período chuvoso.

Ao perceber aumento repentino do nível da água nas proximidades, forte correnteza e/ou sinais de deslizamento de terra, deve-se deixar imediatamente o local e buscar uma área alta e segura.

Em situações de emergência, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Foto: CBMMG/Divulgação
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Sarah Thomé
Sarah Thomé é jornalista, formada pelo Centro Universitário Funorte, com passagens por veículos de comunicação, sendo portais e TV. Comprometida com a notícia, veracidade dos fatos e ética jornalística, atualmente, faz parte do time do Portal Webterra. Natural de Belo Horizonte-MG, é apaixonada por livros, escrita e animais.