Quando escrevo minha coluna, penso nisso: talvez alguém, do outro lado da tela de O Tempo ou do Webterra, esteja precisando exatamente desse tema, para lembrar que patrimônio é bom, com educação é melhor.
Pensando assim, ensinamos nossos filhos a estudar para que nunca precisassem ajoelhar diante da ignorância.
Temos consciência de que tudo o que damos aos nossos filhos, o maior investimento sempre foi a educação.
Formá-los em Direito não foi um troféu para a parede, mas um gesto de fé: fé no conhecimento, na palavra, na justiça possível, nas leis, na Constituição e na capacidade humana de aprender a argumentar em vez de impor.
Enquanto alguns acumulam bens, eu e Ada escolhemos acumular livros, noites de estudo, conversas longas sobre responsabilidade, espiritualidade, ética e escolhas. Educar dá trabalho. Cansa. Exige renúncia. Mas também devolve algo raro: dignidade.
O conhecimento não se perde, não se desvaloriza, não pode ser confiscado. Ele caminha com a pessoa, atravessa crises, abre portas invisíveis e, sobretudo, ensina a pensar.
Seguindo Paulo Freire: ensinar nossos filhos a estudar nunca foi apenas prepará-los para o mercado, mas para o mundo, para que soubessem ler não apenas os códigos das leis, mas as entrelinhas da vida.
Freire nos lembra que ninguém educa ninguém sozinho: educamo-nos em comunhão, na troca, na escuta, no exemplo.
Educar, como ele dizia, é um ato de amor — e também de coragem.
Amor porque acredita nós filhos. Coragem porque escolhe formar pessoas críticas, capazes de questionar, argumentar e transformar.
Se conhecimento é libertação, então cada livro que colocamos nas mãos de nossos filhos foi também um gesto de liberdade.
Quando vemos nossos filhos formados, não vemos apenas diplomas. Vemos trajetórias.
Vemos o esforço de quem aprendeu que o Direito não é só lei fria, mas compromisso com o outro, com a escuta, com o limite e com a justiça possível no mundo real.
Educação é isso: plantar hoje para que alguém caminhe amanhã com mais autonomia, mais consciência e menos medo. É um investimento silencioso, que não rende aplausos imediatos, mas constrói futuros.

Se nos perguntarem do que nos orgulhamos, respondemos sem hesitar: escolhemos investir onde ninguém pode tirar.
No saber.
Na educação.
Nos nossos filhos.
E isso, para nós, é recompensa.
Porque educar e ser educado são dois lados do mesmo gesto: um acende a fogueira, o outro se aproxima para se aquecer.
Ou quem ensina também aprende
e quem aprende também ilumina.





