ALMG aprova privatização da Copasa após mais de oito horas de debate

A privatização da Copasa já havia sido aprovada em primeiro turno na terça-feira (2), por 50 votos a 17. O quórum mínimo exigido era de 48 votos

Em uma decisão considerada histórica, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em segundo turno e de forma definitiva, na noite desta quarta-feira (7), a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O projeto passou por 53 votos favoráveis e 19 contrários, após mais de oito horas de discussão em plenário. O texto segue agora para sanção do governador Romeu Zema (Novo), autor do Projeto de Lei.

Durante a sessão, parlamentares da oposição concentraram a maioria dos pronunciamentos contrários à proposta. A deputada Bella Gonçalves (Psol) criticou a desestatização e alertou para riscos à qualidade dos serviços. “Água limpa e tratamento de esgoto são direitos fundamentais, sobretudo da população mais pobre”, afirmou. Nenhum deputado da base governista se manifestou em defesa do projeto nesta sessão.

Em debates anteriores, o deputado Gustavo Valadares (PSD) defendeu a privatização como alternativa para ampliar o acesso ao saneamento básico. Segundo ele, menos de 50% da população mineira tem acesso ao esgoto tratado e menos de 80% à água tratada. “A gestão pública impõe amarras que dificultam a universalização do serviço”, argumentou.


Emendas apresentadas

A deputada Bella Gonçalves apresentou quatro das seis emendas ao projeto. As outras duas foram propostas coletivamente pela oposição e ainda estão em votação. Entre os pontos, estão a destinação de parte dos recursos da venda para um fundo estadual de saneamento, ampliação da estabilidade dos trabalhadores e restrições ao perfil de compradores da estatal.

Aprovação em primeiro turno

A privatização da Copasa já havia sido aprovada em primeiro turno na terça-feira (2), por 50 votos a 17. O quórum mínimo exigido era de 48 votos.

O que prevê o PL 4.380/2025

O projeto autoriza o Governo de Minas a promover a desestatização total ou parcial da Copasa, incluindo a venda de ações, aumento de capital com perda de controle acionário e operações societárias como fusões ou incorporações. O texto também prevê a criação de uma “golden share”, que garante ao Estado poder de veto em decisões estratégicas.

Os recursos obtidos com a privatização deverão ser destinados exclusivamente à amortização da dívida do Estado ou ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

PEC elimina exigência de referendo

No último dia 5 de novembro, a ALMG também aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, que retira a obrigatoriedade de referendo popular para autorizar a privatização da Copasa. A medida foi aprovada por 48 votos a 22.

Após a votação da PEC, houve confusão no plenário, com registro de briga física entre deputados da base governista e da oposição.

Reação dos municípios

Diante da possibilidade de privatização, a Associação Mineira de Municípios (AMM) acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para esclarecer os impactos da mudança nos contratos firmados com 637 municípios mineiros. A entidade busca orientações sobre a manutenção, adaptação ou eventual encerramento dos contratos.

O vice-governador Matheus Simões afirmou que todos os municípios já foram notificados e que o Estado mantém diálogo com as prefeituras, incluindo Belo Horizonte, responsável por cerca de 50% da arrecadação da Copasa.

Se quiser, faço uma versão ainda mais curta, linha do tempo, ou texto opinativo/análise.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.