Viver no CERRADO deve SER TÃO bom

Confira a coluna Sal da Terra desta semana

 

Eu sempre gosto de “trocadilhos” ou “frases de duplo sentido” em algumas colunas. Mas o bom mesmo é iniciar com versos.

“Ouvi o canto do jacu no verão,
cheiro de chuva na poeira,
alma simples, pequi no chão”.


Aqui é onde o vento sopra lembranças antigas, e o chão guarda histórias em prosa e poesia.


Ser do Cerrado é mais que morar, é ser tão simples quanto o canto da siriema,
tão forte quanto o tronco do pequizeiro.

Nesse chão, o ser se mistura à terra,
a alma se alarga como horizonte,
e o coração aprende a demorar nas coisas pequenas.

Cerrado é ser tão inteiro, tão raiz, tão natureza, que o tempo se aquieta dentro da gente.

Cerrado/Sertão — a poesia que brota entre veredas e nascentes, e vira versos dentro da gente.

Observando o sol se por e o dia nascer com canto de siriema e cheiro de mato.

E sentir o vento correndo leve entre as veredas, e águas brotando nas nascentes e correndo pelos vales, como quem conhece cada folha, cada pedra do chão.

Aqui o tempo anda devagar, feito carro de boi subindo ladeira, e o coração aprende a ouvir o silêncio.

No Cerrado, a gente entende que força mora na raiz pequena, mas teimosa, que fura pedra pra achar água.

E quando a chuva chega, ah, é festa! O chão respira, o verde se espreguiça, e o céu parece sorrir.

Viver no Cerrado deve ser tão bom porque é simples, é sincero, é verdade da terra.

É gente que planta palavra, colhe amizade e reparte o pão da esperança.

Cerrado é alma quente, é canto antigo, é vida que resiste — sempre bonita, sempre brava.

E assim, o Cerrado ensina fazer a TRAVESSIA sem pressa,
que viver é brotar mesmo em tempos de seca,
é florir no pó, é amar no silêncio.

Porque aqui, cada pôr do sol reza,
cada raiz é memória,
e cada coração que pulsa nessa terra
carrega um pedaço do infinito.

Viver no Cerrado é ser parte da poesia da própria natureza, onde o simples é sagrado,
e o sagrado tem cheiro de terra e de chão.

Para encerrar, quero dizer que esse jogo de palavras: “Cerrado” e “Ser tão”, tem uma beleza poética profunda.

Cerrado é o bioma brasileiro, rico, resistente e cheio de vida.

Ser tão soa como “sertão”, remetendo à terra, à raiz, à identidade do interior.

Viver no Cerrado (o lugar físico, natureza e cultura)

Ser tão (ser de essência simples, autêntica, profunda, como o sertanejo e o povo do cerrado).

Cerrado é o espaço geográfico e a condição de ser (Ser-tão) — unindo o ser humano à terra onde nasceu, cresceu e viveu.