8 de março: a luta também se faz com escrita e muita poesia!
Lendo trechos do livro: As Mulheres de cinzas de Mia Couto abriu meu coração para escrever este texto.
Trata-se de um romance histórico que conta versões de parte da história narrada por uma mulher negra e excluída.
O livro encheu meus dias de poesia, vivendo a vida de um personagem, refém de uma história que nunca lhe pertenceu.
Busco mostrar neste texto a humanidade existente na condição de negra e excluída das mulheres da minha escrita.
A personagem fala que não nasceu para ser somente uma pessoa, diz ela: – “Sou uma raça, sou uma tribo, sou um sexo, sou tudo o que me impede de ser eu mesma.
Nasceu de uma doença de que padece as mulheres negras e excluidas que começa antes dela, “começa na história da minha gente, condenada pela mesquinhez dos seus dirigentes desde a colonização”.
Ela está presa em algo: “ao nascimento, os nossos ancestrais escolhem o nome que temos. Os patrões do mundo decidem o nome que vamos ter.”
E assim, as vidas vão se consumindo no tempo presente, recuperando o passado encoberto pela história escrita pelos outros.
A mulher da minha escrita vai aos poucos voltando a si mesma: “As raízes de minha alma devolvem-me agora todo o meu ser.
A mulher da minha escrita mostra a exclusão que vive a mulher , e a busca de narrativas que tragam de volta o que foram e desejam voltar a ser.
Nesse dia 8 de março, o que a leitura da Mulher da minha escrita traz para a reflexão?
Um primeiro ponto é a poesia e a escrita que possibilita refletir nesse dia: o que nos impede de ser nós mesmas? Que outras versões da história podemos escrever?
Outro ponto é a “exclusão” que nos une como mulheres, mas nos une também como seres humanos.
É importante nesse dia que pontuemos nossas lutas, mas que também reconheçamos as grandes ameaças que se colocam para todas: a violência machista, os ataques à democracia e a reforma da previdência que ameaça nossos direitos como trabalhadoras.
Algumas lutas são das mulheres, outras são de todas e todos.
Algumas de nossas lutas ainda necessitam que reafirmemos nossa condição de mulheres, mas chegará o tempo em que não seremos mais mulheres e/ou homens: seremos simplesmente humanos.