Você está se vestindo para a vida que tem ou para a vida que espera ter?

Confira a coluna Vista-se de Si desta semana, por Maíra Mesquita

Tem uma roupa no seu armário esperando você emagrecer. Outra esperando um convite especial. Uma terceira esperando o dia em que você vai ter coragem de usar.

Enquanto isso, você vai vivendo com as mesmas peças, repetindo que não tem roupa e deixando para depois a vontade de se sentir bonita.

Eu quero te fazer uma pergunta: o que você tem permitido vestir no seu corpo de hoje?


Na consultoria de imagem, a conversa pode começar com uma calça que não fecha e chegar à dificuldade de aceitar uma mudança. Pode começar com a dúvida sobre uma cor e revelar o medo de chamar atenção. A roupa faz parte da nossa rotina, mas também carrega expectativas sobre quem deveríamos ser.

E, às vezes, essas expectativas deixam o armário cheio e as escolhas muito difíceis.

Você guarda o jeans de anos atrás como se ele fosse uma prova que ainda precisa passar. Compra uma peça porque ficou linda em outra pessoa, mesmo sabendo que vai passar o dia puxando o tecido e ajeitando o decote. Escolhe sempre o mais discreto porque se acostumou a ouvir que certas coisas “não são para você”.

Aos poucos, se arrumar vira uma negociação com a própria insegurança.

Só que a sua vida está acontecendo agora. Você tem trabalho, encontros, almoços, passeios e dias comuns para viver. Merece roupas que acompanhem esses momentos com conforto e que tenham alguma coisa a ver com você.

Isso começa com uma atitude bem prática: olhar para o que realmente funciona hoje.

Experimente suas roupas sem transformar o espelho em tribunal. Observe se consegue sentar, caminhar e respirar com conforto. Veja quais peças você gosta de usar e quais só mantém por culpa de ter comprado. Perceba também o que está faltando para aproveitar melhor o que já tem. Às vezes, uma barra ajustada ou uma combinação diferente resolve mais do que outra sacola de compras.

E faça um teste: use nesta semana uma peça de que você gosta, mas vive economizando. A blusa bonita pode ir ao almoço de domingo. O brinco pode acompanhar uma camiseta. A bolsa pode sair do armário antes de surgir uma grande ocasião.

É claro que existem roupas para situações específicas. Mas será que tudo o que você ama precisa ficar reservado para um acontecimento raro?

Também vale atualizar a imagem que você tem de si. Talvez você ainda compre pensando na mulher que era há dez anos. Talvez a maternidade, o trabalho ou uma mudança de rotina tenham alterado suas necessidades. Você pode continuar gostando de moda e precisar de mais praticidade. Pode descobrir novas cores, preferir outros cortes e abandonar uma tendência que nunca fez sentido na sua vida.

Mudar de preferência faz parte de se conhecer.

Se vestir pode voltar a ser um momento agradável quando você para de exigir que cada roupa esconda alguma coisa ou prove o seu valor. Um bom look cabe no corpo, na rotina e no seu jeito de ser.

A mulher que você é hoje merece encontrar espaço no seu próprio armário. Inclusive numa segunda-feira comum, sem festa marcada e sem precisar esperar o próximo número na balança.