Investigador da Polícia Civil e três despachantes são condenados por esquema de corrupção em órgão de trânsito, em Bocaiúva

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, as penas aplicadas aos quatro réus somam 11 anos, 8 meses e 24 dias de reclusão, além de multas e sanções restritivas de direitos. A decisão também manteve a perda do cargo público do policial civil.  

Um investigador da Polícia Civil e três despachantes foram condenados por envolvidos em um esquema de corrupção que operava no setor de trânsito da Delegacia de Polícia Civil de Bocaiúva, no Norte de Minas. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de Minas Gerais nessa quarta-feira (21).

Segundo o MPMG, as penas aplicadas aos quatro réus somam 11 anos, 8 meses e 24 dias de reclusão, além de multas e sanções restritivas de direitos. A decisão também manteve a perda do cargo público do policial civil.

A condenação é resultado de investigações que identificaram a atuação de um grupo responsável por fraudar procedimentos relacionados à regularização e transferência de veículos.


 “Ao analisar os recursos, o TJMG manteve integralmente as condenações, reconhecendo a robustez das provas reunidas pelo MPMG. Entre os elementos que fundamentaram a decisão estão interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, mensagens eletrônicas, registros audiovisuais e depoimentos de testemunhas”, disse o MPMG. 

Operação Overlook 

De acordo com o MPMG, as condenações são resultados da Operação Overlook, deflagrada em 7 de outubro de 2022 pelo Gaeco Regional de Montes Claros, com apoio da Polícia Militar, para apurar irregularidades em serviços de trânsito prestados no Norte de Minas.

As investigações revelaram um esquema de favorecimento a despachantes e de facilitação de procedimentos veiculares em desacordo com a legislação.

“Segundo as apurações, vantagens indevidas eram pagas a servidor público para dispensar vistorias obrigatórias e outras exigências legais previstas nos processos administrativos […] As investigações apontaram ainda a utilização de endereços falsos e a realização irregular de procedimentos de registro, licenciamento, vistoria e transferência de veículos. O esquema beneficiava despachantes que atuavam junto ao órgão de trânsito mediante o pagamento de propina ao servidor envolvido”, destaca o MPMG.

Ainda conforme o MPMG, o grupo recebia valores para agilizar centenas de transferências de veículos e promover a tramitação irregular de processos administrativos. Em alguns casos, eram utilizados endereços fictícios de proprietários e oferecidos bens como contrapartida pela obtenção de vantagens nos serviços públicos.

O Portal Webterra entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais e aguarda retorno.

Como o nome dos envolvidos não foi divulgado pelo Ministério Público, o Portal Webterra não conseguiu entrar em contato com as defesas.