Alterações de humor: quando é emocional, hormonal ou um transtorno psicológico?

Confira a coluna Psicologia para o Dia a Dia, por Renato Mota

s mudanças de humor fazem parte da experiência humana, mas, quando se tornam intensas e frequentes, podem gerar dúvidas sobre suas causas. Entre as possibilidades estão o transtorno de personalidade borderline, o transtorno bipolar e as oscilações emocionais relacionadas às variações hormonais femininas. Embora apresentem algumas semelhanças, essas condições possuem características distintas e exigem uma avaliação cuidadosa para evitar diagnósticos equivocados.

No transtorno de personalidade borderline, há uma dificuldade persistente de regulação emocional, frequentemente acompanhada de impulsividade, medo de abandono e instabilidade nos relacionamentos. As emoções podem mudar rapidamente, em minutos ou horas, especialmente diante de conflitos, rejeições percebidas ou situações afetivas. Essas reações não são simplesmente exageros ou escolhas conscientes, mas manifestações de um sofrimento psicológico que pode ser tratado com acompanhamento especializado.

Já o transtorno bipolar é caracterizado por episódios de depressão e de mania ou hipomania. Nesses períodos, ocorrem mudanças significativas no humor, na energia e no comportamento. Durante a mania ou hipomania, a pessoa pode apresentar redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, aumento da disposição, impulsividade e sensação de autoconfiança elevada. Diferentemente das oscilações rápidas frequentemente observadas no borderline, os episódios bipolares geralmente persistem por dias ou semanas, embora a duração varie conforme o quadro clínico.


Nas mulheres, as alterações hormonais também podem influenciar o equilíbrio emocional. No período pré-menstrual, podem surgir irritabilidade, ansiedade, tristeza e maior sensibilidade emocional. Na perimenopausa, fase de transição para a menopausa, as flutuações hormonais, associadas a sintomas como insônia e ondas de calor, podem contribuir para alterações de humor. Uma característica importante é a possível relação dos sintomas com o ciclo menstrual ou com essa fase da vida. Entretanto, nem toda alteração emocional feminina é hormonal, e sintomas intensos ou persistentes merecem investigação.

Compreender as diferenças é fundamental para evitar rótulos e promover o cuidado com a saúde mental. Nem toda pessoa que muda de humor é bipolar ou borderline, assim como nem toda irritabilidade feminina deve ser atribuída aos hormônios. A frequência, a duração, a intensidade dos sintomas e seus impactos na vida cotidiana são aspectos essenciais para uma avaliação adequada. Buscar ajuda profissional permite compreender o que está acontecendo e encontrar o tratamento mais indicado para cada pessoa.