Quando a fome não está no estômago

Confira a coluna Nutrição em Pauta desta semana, por Dra. Tamirys Souza

Por Tamirys Souza – Nutricionista | CRN 9783

Você já percebeu que, às vezes, procura comida mesmo sem estar com fome? Entender a relação entre emoções e alimentação pode ser o primeiro passo para construir uma relação mais leve e consciente com o que comemos.

Você chega em casa depois de um dia difícil e, antes mesmo de pensar no jantar, já está procurando um chocolate. Está ansioso e sente vontade de comer alguma coisa. Está entediado, abre a geladeira. Está triste e busca na comida uma sensação de conforto.


Mas será que é fome?

A relação com a comida vai muito além da necessidade de nutrir o organismo. Comemos por prazer, por hábito, por convivência social e também em resposta às nossas emoções. Por isso, nem toda vontade de comer representa uma necessidade física.

FOME FÍSICA OU FOME EMOCIONAL?

A fome física geralmente aparece de maneira gradual. O corpo dá sinais de que precisa de energia e, em muitos casos, diferentes alimentos podem satisfazer essa necessidade.

Já a fome emocional tende a surgir de forma repentina e pode estar associada a uma vontade específica, principalmente de alimentos mais doces, gordurosos ou altamente palatáveis.

Isso não significa que comer um chocolate depois de um dia estressante seja errado. O problema aparece quando a comida passa a ser utilizada constantemente como uma forma de aliviar sentimentos que não estão sendo acolhidos de outra maneira.

NÃO É FALTA DE FORÇA DE VONTADE

Esse é um ponto importante.

Comer emocionalmente não deve ser tratado simplesmente como falta de disciplina. Estresse, ansiedade, cansaço, privação de sono, dietas excessivamente restritivas e uma rotina desorganizada podem influenciar significativamente nossas escolhas alimentares.

Por isso, antes de pensar em “fechar a boca”, talvez seja necessário olhar para a rotina e perguntar:

Como eu estou vivendo?

UMA PAUSA ANTES DA PRÓXIMA MORDIDA

Na próxima vez que sentir uma vontade repentina de comer, experimente fazer uma pequena pausa.

Pergunte a si mesmo:

“Estou com fome ou estou tentando aliviar alguma emoção?”

Observe quando foi sua última refeição, o que está sentindo naquele momento e se existe alguma necessidade por trás daquela vontade.

Talvez seja fome.

Talvez seja cansaço.

Talvez seja estresse.

Talvez seja apenas vontade de comer — e tudo bem.

O objetivo não é transformar a alimentação em um interrogatório ou criar culpa. É desenvolver consciência.

COMER BEM TAMBÉM É ENTENDER O QUE SENTIMOS

Uma alimentação equilibrada não significa nunca comer por prazer, nunca desejar um doce ou nunca sair da rotina.

Significa encontrar equilíbrio.

A comida pode fazer parte dos nossos momentos de felicidade, celebração e conforto. Mas ela não precisa carregar sozinha a responsabilidade de resolver nossas emoções.

Quando percebemos que estamos recorrendo constantemente à comida para lidar com sentimentos, buscar ajuda profissional pode ser importante. Nutricionistas e psicólogos podem atuar juntos para compreender os fatores envolvidos e construir estratégias mais saudáveis.

No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja apenas:

“O que eu devo comer?”

Mas também:

“Do que e  u estou precisando neste momento?”

Porque cuidar da alimentação é, também, aprender a cuidar de si.

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NUTRIÇÃO EM PAUTA

Informação para escolhas mais conscientes e uma relação mais leve com a alimentação.

@tamirysnutri