Operação Larga investiga desmatamento de quase 2 mil hectares em área de conservação no Norte de Minas

Ação da Polícia Civil cumpriu mandados em três municípios e apreendeu documentos, equipamentos eletrônicos e maquinário agrícola; investigação apura supressão ilegal de vegetação nativa e uso da área para cultivo de soja
Foto: PCMG / Divulgação

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nesta terça-feira (25) mira um esquema investigado por crimes ambientais cometidos dentro de uma área de conservação no Norte de Minas. Batizada de Operação Larga, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis de Chapada Gaúcha, Bonito de Minas e Presidente Olegário.

A operação contou com a participação da Polícia Militar de Meio Ambiente e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram recolhidos contratos relacionados à compra e cessão de terras, dispositivos eletrônicos e uma série de máquinas e implementos utilizados em atividades agrícolas.

Entre os materiais apreendidos estão tratores, pulverizador autopropelido, plantadeira, grades agrícolas, carreta, distribuidores de calcário, gerador elétrico, guinchos hidráulicos e outros equipamentos.


Foto: PCMG / Divulgação


Área desmatada

As apurações começaram depois que denúncias apontaram possíveis intervenções ambientais dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Cochá e Gibão, unidade de conservação estadual de uso sustentável localizada entre Bonito de Minas e Januária.
A dimensão do dano ambiental identificado chamou a atenção dos investigadores. Imagens de satélite e inspeções realizadas em campo permitiram acompanhar a evolução da área atingida pela retirada da vegetação nativa do Cerrado.

Em março deste ano, as análises apontavam aproximadamente 1.230 hectares de vegetação suprimida. Em fiscalizações posteriores, porém, a área identificada chegou a 1.995 hectares, o equivalente a quase 2 mil campos de futebol com vegetação nativa removida, considerando a referência aproximada de um campo de futebol por hectare.

Além do desmatamento, os trabalhos de fiscalização encontraram sinais de queima do material lenhoso resultante da supressão da vegetação, preparação do solo e implantação de cultivo agrícola.

Soja teria sido plantada em área desmatada
Segundo os registros obtidos durante as fiscalizações, também foram identificados indícios de utilização de um poço tubular sem a documentação e os equipamentos de medição exigidos.
Uma pessoa foi autuada administrativamente pelos órgãos ambientais. A autuação está relacionada à supressão de vegetação nativa do Cerrado sem autorização, à queima do material lenhoso produzido pelo desmatamento e ao uso da área para o cultivo de soja.

A operação desta terça-feira representa uma nova etapa da investigação. A apreensão de contratos, equipamentos eletrônicos e maquinário agrícola deverá auxiliar os investigadores na identificação das circunstâncias das intervenções ambientais e de eventuais responsabilidades.

Investigação continua

A apuração está sob responsabilidade da equipe da Polícia Civil que investiga crimes ambientais em Januária. Até o momento, o inquérito permanece em andamento.
A Operação Larga busca esclarecer a extensão das intervenções realizadas na unidade de conservação, a origem e a titularidade das áreas envolvidas e a eventual participação de outras pessoas nos fatos investigados.

O caso também evidencia a pressão exercida por atividades agropecuárias sobre áreas remanescentes do Cerrado no Norte de Minas, especialmente em regiões onde a expansão das áreas de cultivo exige autorização e fiscalização ambiental.

As autoridades ainda deverão analisar o material apreendido antes de concluir o inquérito e definir eventuais responsabilidades criminais.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.