Feminicídio em Montes Claros: polícia conclui inquérito e aponta que ex-companheiro matou mulher por esganadura após saber que ela iria sair com amiga

Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu familiares, testemunhas e pessoas próximas à mulher. Conforme a delegada, os depoimentos foram convergentes ao apontar que o relacionamento era marcado por comportamento controlador, obsessivo e por violência psicológica.
Foto: Rodrigo Barbosa

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava o feminicídio de uma mulher de 42 anos, morta pelo ex-companheiro no dia 15 de agosto, em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Segundo a delegada responsável pelo caso, Francielle Drumond, o laudo de necropsia apontou que Suelen Fernandes Prates, de 42 anos, morreu por asfixia provocada por esganadura. De acordo com a investigação, o ex-companheiro Hélio Euclides Pereira Souza utilizou as próprias mãos para provocar a constrição do pescoço da vítima.

Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu familiares, testemunhas e pessoas próximas à mulher. Conforme a delegada, os depoimentos foram convergentes ao apontar que o relacionamento era marcado por comportamento controlador, obsessivo e por violência psicológica.

“Todos esses relatos foram convergentes no sentido da existência de um relacionamento abusivo, marcado por um comportamento controlador por parte do autor, obsessivo e também de violência psicológica”, afirmou Francielle Drumond.


Foto: Redes Sociais

Segundo a polícia, o casal estava separado desde maio deste ano, mas o homem não aceitava o fim do relacionamento. A investigação apontou que ele passou a perseguir a vítima no local de trabalho e também nas proximidades das casas de familiares.

Durante a coletiva, a delegada informou que a vítima não havia registrado boletim de ocorrência contra o ex-companheiro e também não havia solicitado medida protetiva.

“Em nenhum momento a vítima teria registrado nenhum boletim de ocorrência informando dessa violência psicológica que ela sofria e também não requereu medidas protetivas”, disse.

A delegada destacou ainda a importância de identificar sinais de violência psicológica em relacionamentos abusivos, mesmo quando não há agressões físicas.

Foto: Rodrigo Barbosa

Vítima foi atraída para a casa do ex-companheiro 

Ainda conforme a Polícia Civil, o suspeito descobriu que a vítima iria a um evento social acompanhada de uma amiga e sem a presença dele. A partir da reprodução dos fatos, os investigadores concluíram que o homem teria ligado para a vítima e pedido que ela fosse até a casa dele. Segundo a delegada, a mulher foi ao imóvel acreditando no chamado.

“O autor teria trancado o portão como uma forma de evitar qualquer possibilidade de saída ou defesa da vítima e, em seguida, praticou o feminicídio por esganadura”, explicou a delegada.

Suspeito tentou suicídio após matar a ex

De acordo com a delegada, após matar a ex-companheira, o homem teria enviado mensagens para familiares informando que havia cometido o feminicídio e que também tiraria a própria vida.

“Antes do autor atentar contra a própria vida, ele teria mandado mensagens pra alguns familiares dele informando da prática do feminicídio, e, informando que iria praticar o suicídio. Em seguida o autor teria disparado contra a própria mandíbula, no entanto, os familiares compareceram ali na residência logo em seguida, prestaram socorro e o autor foi encaminhado ao hospital”, disse a delegada.

Mesmo internado em estado grave, o homem teve a prisão preventiva decretada. A Polícia Civil representou pela prisão e o mandado foi cumprido na última sexta-feira, em Montes Claros. Ele permanece internado, mas está preso sob escolta policial.

Arma teria sido fabricada pelo próprio suspeito

Segundo a Polícia Civil, a investigação também apurou que a arma utilizada pelo homem na tentativa de suicídio, era uma arma artesanal. A delegada afirmou que o suspeito tinha conhecimento e habilidade para fabricar esse tipo de armamento e que, conforme os elementos reunidos no inquérito, há indicativos de que ele próprio tenha produzido a arma.

O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e o suspeito responde pelo crime de feminicídio. A legislação brasileira prevê atualmente pena de 20 a 40 anos de prisão para o crime.

Rodrigo Barbosa
Jornalista de formação pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas - Funorte, em 2018. Natural de Montes Claros-MG, tem passagens por Tv, na Inter TV Grande Minas e Tv Anhanguera, afiliadas Globo, além de assessoria de comunicação, portais de notícias e redações de jornais, sendo impresso e online.