As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública em Minas Gerais. Entre os anos de 2000 e 2024, o estado contabilizou 47.804 casos confirmados da doença e 5.417 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde. A hepatite C lidera o número de notificações, seguida pela hepatite B, duas formas da doença que podem evoluir de maneira silenciosa e causar graves complicações no fígado.
Em todo o país, foram registrados mais de 826 mil casos de hepatites virais no mesmo período. A hepatite C representa cerca de 41,5% das notificações nacionais, com mais de 342 mil casos, enquanto a hepatite B responde por 36,6%, somando mais de 302 mil registros. A hepatite A aparece em seguida, com aproximadamente 175 mil casos. Já os tipos D e E correspondem a menos de 1% das notificações.
Uma das maiores preocupações dos especialistas é que as hepatites B e C podem permanecer assintomáticas durante anos. Enquanto a pessoa não percebe qualquer alteração na saúde, o vírus pode provocar danos progressivos ao fígado, aumentando o risco de cirrose, câncer hepático e, em situações mais graves, a necessidade de transplante.
Para ampliar o diagnóstico precoce, o Ministério da Saúde tem intensificado a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, Minas Gerais recebeu 408.675 testes para hepatite C, disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal, destaca que identificar a infecção nos estágios iniciais aumenta significativamente as chances de tratamento e cura.
Segundo a especialista, pessoas que apresentem sintomas como fadiga, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura ou fezes claras devem procurar atendimento médico. No entanto, ela lembra que muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, tornando a realização dos testes um importante aliado na prevenção de complicações.
Formas de transmissão
A transmissão varia de acordo com o tipo de hepatite. A hepatite A está relacionada, principalmente, ao consumo de água e alimentos contaminados, sendo mais frequente em locais com deficiência de saneamento básico.
As hepatites B e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Já a hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue infectado, incluindo o compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e pelo uso de materiais não esterilizados em procedimentos como tatuagens e colocação de piercings.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
Especialistas reforçam que medidas simples podem reduzir significativamente o número de novos casos. A vacinação — disponível para alguns tipos da doença —, o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e os cuidados com higiene e saneamento básico são as principais formas de prevenção.
O cenário também preocupa em nível mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C. Juntas, elas são responsáveis por mais de 95% das mortes relacionadas às hepatites virais, e o ritmo atual ainda é considerado insuficiente para que essas doenças sejam eliminadas como problema de saúde pública até 2030.





