Nas férias, muitas crianças e adolescentes com deficiência não ficam perdidos só porque a escola parou. Ficam perdidos porque a rotina muda toda. Muda o horário. Muda quem está em casa. Muda o caminho. A casa fica mais cheia. Tem mais barulho. E o dia parece meio solto demais.
E, para algumas crianças, esse “tempo livre” não parece liberdade. Parece confusão. Parece ansiedade. Tipo: “o que vai acontecer agora?” Às vezes, a criança não está fazendo birra. Ela só está tentando entender um dia que ficou imprevisível demais.
Por isso, uma das formas mais simples de ajudar é tornar o dia mais visível. E isso pode ser feito com imagens e sequências de rotina. Não precisa ser nada caro, perfeito ou plastificado. Pode ser feito no papel, no celular, com desenhos simples, fotos reais da casa ou imagens impressas. O importante é ajudar a criança a entender: o que vai acontecer agora? O que vem depois? Quando acaba? Para onde vamos? Quem vai estar lá?
Para muitas crianças, VER a rotina ajuda mais do que apenas OUVIR a rotina. Uma sequência de imagens pode mostrar o dia em pequenas partes. Coloque as imagens em uma folha, em uma cartolina, na porta da geladeira ou no quarto. Também é possível mostrar no celular. Conforme o dia vai acontecendo, a criança pode riscar, virar a imagem, tirar da parede ou apenas olhar de novo.
Isso ajuda porque diminui a incerteza. E, nas férias, diminuir a incerteza já é muita coisa. Aqui em casa, por exemplo, como Mateus já está de férias, ele acaba saindo da rotina e esquece algumas etapas do autocuidado. Para evitar estresse, cansaço e muitas repetições, eu organizei uma sequência visual com o que ele precisa fazer no dia a dia.

Também é possível fazer uma sequência só para um momento específico. Por exemplo, para sair de casa:

Ou para uma ida ao supermercado:

Parece simples, mas, para uma criança que se desorganiza com barulho, tempo de espera, luz forte, mudança de ambiente ou excesso de pessoas, saber a sequência das ações e das situações pode ser uma forma de segurança.
Nas férias, essas estratégias não resolvem tudo, mas podem diminuir o caos e evitar algumas explosões. Além de ajudar a família e, principalmente, nós, mães, a não termos que passar o dia inteiro explicando a mesma coisa. Porque explicar tudo o tempo inteiro cansa. Repetir a mesma orientação cem vezes cansa. Tentar adivinhar o que a criança entendeu, o que ela não entendeu e por que ela se desorganizou também cansa.
A imagem não substitui o cuidado. Mas ela apoia o cuidado.
A organização começa quando a rotina fica visível e previsível. A criança entende melhor o dia. E a casa deixa de depender só da nossa memória e da nossa paciência.
Nas férias, toda ferramenta que ajuda a criança a se organizar também ajuda a mãe a descansar um pouquinho.





