As importâncias e as desimportâncias da vida

Confira a coluna Sal da Terra desta semana, por Milton Santiago

A vida tem uma maneira curiosa de nos ensinar prioridades. Quando enfrentamos uma perda de um ente querido, uma doença, uma despedida ou um grande desafio, percebemos que muitas das batalhas que travávamos eram pequenas demais para merecer tanto de nós.

Eram desimportâncias vestidas de urgência.


Aí chega o tempo em que descobrimos que grande parte das nossas preocupações era feita de desimportâncias.

Aquilo que tirava o sono, alimentava discussões e ocupava nossos pensamentos acaba perdendo força diante da passagem dos dias.

As desimportâncias da vida costumam fazer muito barulho.

São as vaidades, os ressentimentos guardados, a necessidade de ter razão o tempo todo, a opinião de quem não conhece nossa caminhada.

Enquanto isso, o que realmente importa quase sempre fala baixo: um abraço sincero, a saúde, a família, os amigos verdadeiros, a paz de consciência e a alegria de estar vivo.

Com o tempo, aprendemos que amadurecer é também desenvolver a capacidade de distinguir o essencial do acessório.

Nem toda provocação merece resposta. Nem toda crítica merece atenção. Nem toda disputa vale a pena.

A sabedoria talvez esteja justamente nisso: deixar que as desimportâncias sigam seu caminho e guardar nossas energias para aquilo que realmente dá sentido à existência.

Porque, no final das contas, a vida não será medida pelos conflitos que vencemos, mas pelos afetos que cultivamos, pelas mãos que seguramos e pelas marcas de bondade que deixamos pelo caminho.