Supergirl: crítica — um universo mais maduro, cósmico e surpreendentemente intenso da DC

Confira a coluna Nerd sem Filtro desta semana, por Felipe Kalel

O novo filme da DC sobre a Supergirl chega com uma proposta clara: expandir o universo cinematográfico da editora para um território mais cósmico, perigoso e emocionalmente complexo. E o resultado entrega uma experiência que, na minha visão, vai além do esperado — principalmente quando comparado a outras produções recentes do mesmo universo.

O longa apresenta uma Supergirl que, mesmo parecendo perdida em alguns momentos, sabe exatamente o que quer. Existe uma construção interessante dessa dualidade: uma heroína que ainda está encontrando seu lugar no universo, mas que ao mesmo tempo transmite uma sensação constante de força e resistência quase inabalável, impulsionada pelo seu vínculo com o sol amarelo.


O que mais chama atenção é como o filme trabalha esse universo da DC sem depender do Superman como apoio narrativo. Em vários momentos, a presença do primo azulão até surge, mas a sensação é de que o roteiro poderia — e talvez devesse — confiar ainda mais na própria Supergirl. Ainda assim, é importante reconhecer que a produção tenta construir autonomia para a personagem, o que é um ponto positivo dentro dessa nova fase.

Visualmente, o filme aposta em um cenário espacial amplo, com piratas espaciais, planetas distantes e uma atmosfera que remete a uma ópera cósmica da DC Comics. Existe um senso de perigo constante nesse universo, como se qualquer decisão pudesse desencadear consequências maiores do que se imagina.

Outro elemento central da trama envolve duas figuras femininas em rota de colisão emocional e narrativa, ambas movidas por caminhos que se cruzam entre sobrevivência e vingança. Essa dinâmica ajuda a sustentar o peso dramático da história e amplia o impacto das escolhas da protagonista.

No aspecto das ações e combates, o filme entrega cenas interessantes, ainda que algumas sequências sejam levemente escuras demais em certos momentos. Nada que comprometa a experiência geral, mas que exige atenção do espectador em algumas passagens mais intensas.

Porém, o grande destaque absoluto da produção é, sem dúvida, o Lobo interpretado por Jason Momoa. O personagem literalmente parece ter saído das páginas dos quadrinhos e invadido as telonas. Ele é caótico, violento, engraçado, irônico e extremamente perigoso — uma presença que domina a cena sempre que aparece. É difícil não imaginar que esse Lobo mereça uma produção solo própria no futuro, dada a força que ele entrega em tela.

No fim das contas, Supergirl cumpre o que promete. O filme entrega uma narrativa mais madura, com um tom cósmico bem definido e uma protagonista que sustenta bem sua própria jornada dentro desse novo universo da DC. O desfecho, inclusive, consegue ser emocionalmente impactante, fechando a história com uma sensação de evolução e descoberta.

A Supergirl interpretada por Milly Alcock se mostra uma escolha acertada, trazendo uma versão da personagem que equilibra fragilidade e força de maneira convincente, sem perder a essência da heroína.

No geral, é um filme que diverte, emociona e abre portas para um universo ainda mais amplo dentro da DC. E se essa for a direção escolhida, existe um potencial muito grande sendo construído aqui.

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