Aprendi cedo, nas minhas travessias pelo cerrado e nas conversas com os vaqueiros, que o laço é mais do que uma ferramenta.
Ele simboliza preparação, estratégia e a sabedoria adquirida com o tempo.
Há uma lição antiga escondida nessa imagem. O homem do campo sabe que nem toda batalha se vence correndo.
Existem períodos em que a seca endurece a terra, a chuva fecha os caminhos ou a própria vida exige pausa.
Nessas horas, o vaqueiro não se entrega à inércia. Ele refaz e reforça o laço.
O laço, aqui, é metáfora dos instrumentos invisíveis que nos sustentam: o conhecimento, a paciência, os relacionamentos, a fé e a capacidade de recomeçar.

Quando não podemos avançar, podemos nos fortalecer.
Quando não é possível perseguir os sonhos, é hora de preparar melhor as mãos que irão alcançá-los.
O cerrado, mestre das esperas, ensina que nada está realmente parado.
Mesmo na seca, as raízes trabalham em silêncio. O pequizeiro aguarda seu tempo de florescer, e os rios guardam forças para voltar a cantar nas chuvas.
A vida também tem suas estiagens. Há momentos em que os projetos não avançam, as portas não se abrem e os sonhos parecem distantes. Nesses dias, muitos acreditam que estão perdendo tempo.
Mas talvez estejam apenas fortalecendo o laço.
É tempo de aprender, cultivar amizades, cuidar da saúde, fortalecer a fé e reorganizar os sonhos.
O que parece demora pode ser preparação. O que parece silêncio pode ser amadurecimento.
O vaqueiro experiente sabe que nenhuma boiada é tocada apenas com força. É preciso paciência, atenção ao vento e respeito ao tempo das coisas.
Quem se prepara durante a espera segue mais seguro quando chega a hora da partida.
Por isso, muitas vitórias começam antes da conquista, nos dias discretos em que estamos apenas cuidando das ferramentas da alma.
E assim segue o vaqueiro, à sombra de um pequizeiro, refazendo os nós do laço. Não está parado. Está se preparando.
Porque sabe que a próxima travessia virá.
No cerrado, tempo de espera não é tempo perdido. É o tempo sagrado de reforçar o laço.





