Uma jovem de 18 anos viveu momentos de terror após o fim de um relacionamento amoroso em Montes Claros. O ex-namorado, de 21 anos, foi preso pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), suspeito de sequestrar, torturar, ameaçar e manter a vítima sob seu poder, em um caso investigado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Os detalhes da investigação foram apresentados na manhã desta terça-feira (9), durante coletiva de imprensa realizada no prédio da Região Integrada de Segurança Pública (RISP), pela delegada Karine Maia.
Segundo a Polícia Civil, o relacionamento durou cerca de sete meses e chegou ao fim por iniciativa do investigado. Após o término, a jovem saiu com uma amiga e publicou fotos nas redes sociais. Conforme apurado pela polícia, as postagens despertaram forte sentimento de ciúmes no suspeito.
No dia seguinte, ele entrou em contato com a ex-namorada e pediu que os dois conversassem. Inicialmente, a vítima foi até a casa dele. Depois de algum tempo, o homem disse que precisava encontrar outra pessoa e convenceu a jovem a acompanhá-lo a pé até um local afastado, conhecido como Mocão.
Ao se aproximarem da região, a vítima foi surpreendida por três pessoas que já a aguardavam. Eram dois homens e uma mulher, todos encapuzados e usando blusas de frio. A jovem relatou não ter conseguido reconhecer os envolvidos, identificando apenas a mulher pelas características físicas e pelas unhas compridas.
Conforme o depoimento da vítima, os agressores passaram a ameaçá-la constantemente. Eles diziam que iriam matá-la, jogar seu corpo em um barranco e até espalhar mel para que abelhas a atacassem. Durante a ação criminosa, um dos homens desferiu mais de dez coronhadas na cabeça da jovem, provocando diversos hematomas.
Ainda segundo a investigação, disparos de arma de fogo foram efetuados próximos aos ouvidos da vítima com o objetivo de aterrorizá-la psicologicamente. Além das ameaças direcionadas à jovem, os criminosos também afirmavam que poderiam atingir seus familiares.
A Polícia Civil apurou que a mulher integrante do grupo foi a responsável por cortar os cabelos da vítima à força. Enquanto a agressão acontecia, o ex-namorado filmava toda a cena. Em seguida, ele enviou as imagens para a irmã da jovem por meio de um aplicativo de mensagens, utilizando o recurso de visualização única. O conteúdo causou desespero entre os familiares.
Após horas de agressões e humilhações, o suspeito levou a vítima para sua residência. De acordo com o relato prestado à polícia, ele deu banho na jovem, ofereceu alimentação e medicamentos, afirmando que cuidaria dela. Depois disso, ela dormiu e só acordou na manhã seguinte, por volta das 10 horas.
Em determinado momento, a vítima conseguiu ter acesso a um telefone celular e entrou em contato com o irmão. O familiar foi até o local e conseguiu retirá-la da residência.
As investigações apontam ainda que o suspeito descumpria de forma reiterada medidas protetivas de urgência. A vítima registrou ocorrência no fim de maio e formalizou o pedido de proteção judicial no início de junho. Mesmo após as determinações judiciais, ele continuou mantendo contato e promovendo ameaças.
Segundo a Polícia Civil, o investigado possui histórico de violência contra mulheres. Ele já havia sido alvo de medida protetiva solicitada por uma ex-companheira em 2024. Também possui passagens por porte e posse ilegal de arma de fogo, associação criminosa e tráfico de drogas.
O suspeito foi preso em flagrante na última segunda-feira (8). Conforme a polícia, ele ainda tentou resistir à abordagem, mas acabou contido pelos policiais e encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
De acordo com a Polícia Civil, ele poderá responder por crimes como tortura, ameaça, descumprimento de medida protetiva e crimes contra a administração pública, além de outros delitos que ainda estão sendo apurados ao longo da investigação.
Durante a coletiva, a delegada Karine Maia destacou a gravidade dos fatos e ressaltou a importância da rápida atuação policial para interromper a escalada da violência e garantir a segurança da vítima.
Mesmo com a prisão do investigado, a jovem relatou aos policiais que teme ser morta caso ele seja colocado em liberdade. Conforme a investigação, a vítima afirmou acreditar que o ex-companheiro teria coragem de cumprir as ameaças feitas durante o período em que esteve sob seu poder.

A Polícia Civil segue com as investigações para identificar e localizar os outros três envolvidos no crime. Informações que possam contribuir com o trabalho policial podem ser repassadas às forças de segurança por meio dos canais oficiais de denúncia.





