A comunicação do penta campeão Brasil ao mundo

Confira a coluna Aprenda com quem Sabe desta semana, por Lete Lucena
Foto: Divulgação/FIFA

O ano era 1958.

Um garoto de apenas 17 anos desembarcava na Suécia carregando sonho que parecia grande demais para sua idade. Seu nome era Pelé. Filho de família simples, ele não falava vários idiomas, não ocupava manchetes internacionais e ainda era desconhecido para grande parte do planeta. No entanto, era portador de linguagem que dominava com perfeição: a linguagem da determinação.

Durante aquela Copa do Mundo, Pelé comunicou ao mundo algo que nenhuma tradução seria capaz de expressar completamente. A cada drible, a cada gol e a cada gesto de humildade, ele mostrava que talento pode nascer em qualquer lugar e que sonhos não possuem endereço nem classe social. Seu futebol falava. Sua postura falava. Sua alegria falava. E milhões de pessoas, mesmo sem compreender uma única palavra em português, entenderam a mensagem.


Foto: Reprodução/ O Globo/ Editoria de Artes

É interessante perceber que a comunicação não acontece apenas por meio das palavras. Comunicamos quem somos por nossas atitudes, escolhas e reações diante dos desafios. Pelé transformou o futebol em discurso e a superação em mensagem. Sem precisar fazer pronunciamento, disse ao mundo que o Brasil era terra de talento, criatividade e esperança.

Talvez essa seja uma das maiores lições da Copa do Mundo: aquilo que fazemos comunica muito mais do que aquilo que dizemos. Nossos gestos contam histórias. Nossa perseverança inspira pessoas. E nossas atitudes podem atravessar fronteiras que nenhuma língua seria capaz de alcançar sozinha. Afinal, existem mensagens tão poderosas que são compreendidas em qualquer lugar do planeta.

O ano era 2002.

Depois de enfrentar lesões graves e ouvir inúmeras dúvidas sobre sua capacidade de voltar ao alto nível, Ronaldo Nazário chegou à Copa carregando mensagem silenciosa. Muitos enxergavam suas cicatrizes, mas ele enxergava possibilidades.

Quando marcou os dois gols da final contra a Alemanha, Ronaldo não estava apenas conquistando título. Estava comunicando ao mundo que recomeços são possíveis. Afinal, cada partida daquela campanha transmitia mensagem de coragem, de resiliência e de confiança. Sem discursos motivacionais, ele ensinou que a derrota não define a trajetória e que um momento difícil não determina o capítulo final da história.

Com ele aprendemos que a comunicação mais impactante nem sempre acontece pela voz. Muitas vezes, ela acontece pelo exemplo. E o exemplo de Ronaldo ecoou muito além dos gramados. Sua volta por cima foi compreendida em diferentes idiomas, porque a força da superação é linguagem universal.

Foto: Divulgação/ Fifa

Por isso, quando assistimos a histórias como essas, percebemos que a Copa do Mundo é também grande palco de comunicação humana. Jogadores representam muito mais do que uma seleção. Eles comunicam valores, inspiram gerações e mostram ao mundo quem somos quando a pressão aumenta e os desafios aparecem.

No fim das contas, as pessoas podem esquecer algumas palavras, mas dificilmente esquecem uma atitude que falou diretamente ao coração, e, a Copa do Mundo é também isso: disputa de narrativas, de imagens e de percepções. E o Brasil tem muito a comunicar ao mundo: que é nação soberana, forte e relevante no cenário internacional; que é país de povo alegre, acolhedor e resiliente; que é sociedade que trabalha, produz, cria e sonha.; que o Pix é nosso; que Brasil se escreve com “s”; que Deus é brasileiro; que quem inventou o avião foi um brasileiro; que o SUS é exemplo a ser seguido, e………, várias outras políticas sociais….sabores e culturas.

Em tempos em que a comunicação molda a forma como os países são vistos, o Brasil tem a oportunidade de reafirmar sua identidade, sua capacidade e sua confiança no futuro.

Porque o Brasil é dos brasileiros!