“Ela era muito carente e requisitava atenção a todo instante”, contou Mychelle Castro Ferreira, coordenadora da Casa de Acolhimento Rosa Mística. A instituição, que acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade social em Montes Claros, recebeu Amanda Maria Souza de Oliveira, atualmente com 37 anos, em dezembro de 2024.
Segundo a coordenadora, durante o período em que esteve acolhida, a mulher se apresentou como “Ana Karoline” e afirmou ter 18 anos. Em entrevista ao Portal Webterra, a coordenadora relatou que ela chegou de forma espontânea e foi acolhida por toda equipe.
A fragilidade que apresentava ter, o falso discurso da abuso cometido pelo pai, a falta de documentos e recursos financeiros foram aspectos que sensibilizaram e fizeram com que “Ana Karoline” contasse com a rede de apoio da instituição por cerca de 15 dias.
As inconsistências só vieram à tona quando ela foi interpelada para passar por um exame médico e entrou em contradição: alegou ser menor de idade, contradizendo a versão apresentada inicialmente. “Falei de chamar o Conselho Tutelar e ela não aceitou de forma alguma“, contou a coordenadora.

Na época, a instituição acionou a Polícia e demais autoridades competentes; o que resultou na prisão da suspeita.
Mais de um ano e meio depois, o caso de falsa identidade da investigada veio à tona após uma prisão em flagrante, nesta terça-feira (2), em Joinville (SC). Amanda foi presa após passar 14 meses com uma família adotiva, se passando por uma adolescente de 12 anos.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que a suspeita é reincidente nesse tipo de crime e possui antecedentes por golpes semelhantes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Com toda a repercussão do caso, Mychelle lamentou que o caso não terminou em Montes Claros, em dezembro de 2024, e lamentou também ela não ter sido encaminhada a um hospital psquiátrico. Ao relembrar do caso, ela contou que a equipe não mudou a forma de tratar e acolher as pessoas. Apesar de terem se decepcionado com a mentira, continuam acolhendo mulheres que surgem de forma inesperada, sem condições financeiras – assim como a Amanda surgiu- e disse ainda que gostaria de ter o apoio de um psicólogo para ajudar a instituição.





