A “Economia da Atenção” e nossa saúde mental: como as redes sociais são desenhadas para nos manter viciados

Confira a coluna Psicologia para o dia a dia desta semana, por Renato Mota
Foto: Imagem ilustrativa/internet

Em um mundo cada vez mais conectado, a atenção humana se tornou um dos recursos mais valiosos da economia digital. Plataformas de redes sociais competem diariamente por minutos, e até horas, do tempo de seus usuários, utilizando mecanismos cuidadosamente desenvolvidos para maximizar o engajamento. Esse modelo, conhecido como “economia da atenção”, transforma o foco e o tempo das pessoas em ativos comercializáveis, gerando lucros por meio da publicidade e da coleta de dados.

Para alcançar esse objetivo, muitas plataformas utilizam recursos inspirados em princípios da psicologia comportamental. Rolagem infinita, notificações constantes, algoritmos que personalizam conteúdos e sistemas de recompensas imprevisíveis, como curtidas e comentários, estimulam a liberação de dopamina e incentivam o retorno frequente ao aplicativo. O resultado é uma experiência projetada para ser difícil de interromper.

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Especialistas alertam que o uso excessivo das redes sociais pode estar associado ao aumento da ansiedade, dificuldades de concentração, distúrbios do sono e sentimentos de inadequação decorrentes da comparação constante com versões idealizadas da vida alheia. Embora as redes tragam benefícios importantes, como acesso à informação e conexão social, seu uso sem limites pode impactar negativamente o bem-estar psicológico.


Diante desse cenário, cresce a discussão sobre a necessidade de desenvolver uma relação mais consciente com a tecnologia. Estabelecer horários para o uso das redes, desativar notificações desnecessárias e criar momentos livres de telas são algumas estratégias recomendadas para recuperar o controle da própria atenção. Afinal, em uma sociedade onde diversas empresas disputam cada segundo do nosso foco, proteger a atenção pode ser também uma forma de cuidar da saúde mental.