No trote manso do meu cavalo, sigo pelas veredas da vida.
Na bela cela, levo sonhos.
Ao lado, o amigo cachorro campeiro farejador.
E na garupa, levo o velho alforge de caçador.
Nele guardo histórias, memórias, rastros, silêncios, lembranças e pequenas sobrevivências.
Não é feito apenas de couro, pano ou corda, é tecido de travessias.
No meu alforge cabem os dias de sol queimando o cerrado, o cheiro da terra molhada depois da chuva e os olhos atentos de quem aprendeu a observar o mundo antes de julgá-lo.

Todo caçador carrega algo além da caça.
Carrega histórias.
Carrega ausências.
Carrega a memória das trilhas percorridas.
Meu alforge guarda palavras que ainda não escrevi, fotografias que meus olhos fizeram sem câmera, canções antigas e pedaços do tempo que recolhi pelo caminho.
Há quem carregue luxo.
Eu carrego sinais.
E talvez a vida seja isso: seguir pelas veredas do mundo com um velho alforge na garupa, recolhendo sentidos enquanto o coração continua em movimento.





