Câncer infantojuvenil: Brasil pode registrar 7,5 mil novos casos por ano e reforça alerta para diagnóstico precoce

Diagnóstico precoce, acolhimento familiar e solidariedade fortalecem a luta contra o câncer infantil no Norte de Minas

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2026 e 2028, o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano. Desse total, aproximadamente 7.560 devem ocorrer em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. No Norte de Minas, a Fundação Sara utiliza esses dados para chamar atenção à importância do diagnóstico precoce e mobilizar a sociedade para o enfrentamento da doença.

Entre os tipos mais frequentes nessa faixa etária estão as leucemias, os linfomas e os tumores do sistema nervoso central. O câncer também segue como a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes. Apesar da gravidade, especialistas destacam que, quando identificado precocemente e tratado em centros especializados, o índice de cura pode chegar a até 80%.

Ao contrário dos casos em adultos, o câncer infantojuvenil não está associado a fatores de estilo de vida. Outro ponto de alerta é a velocidade de evolução da doença: em crianças e adolescentes, o avanço pode ser rápido, com crescimento acelerado dos tumores em curtos períodos. Por isso, a agilidade na investigação dos sintomas é considerada decisiva para o sucesso do tratamento.


A superintendente executiva da Fundação Sara, Silvana Soares, reforça que o diagnóstico precoce é apenas o primeiro passo de uma jornada que exige estrutura e agilidade no atendimento.

“Identificar os sinais ainda no início é determinante para o sucesso do tratamento. Mas o diagnóstico por si só não basta. É essencial garantir rapidez no início da terapia, profissionais capacitados e atendimento especializado. Por isso estamos construindo o primeiro hospital oncopediátrico do Norte de Minas, para ampliar o acesso e aumentar as chances de cura das nossas crianças”, destaca.

Com 28 anos de atuação, a Fundação Sara oferece suporte multidisciplinar a crianças e adolescentes em tratamento oncológico. Para a oncologista pediatra da instituição, dra. Sabrina Eleutério, o cuidado vai muito além da doença.

Segundo ela, o Hospital de Câncer Sara Albuquerque, em construção em parceria com a Santa Casa de Montes Claros, representa um avanço importante para a região. “Nossa atuação sempre buscou acolhimento integral desde 1998. Isso inclui hospedagem, alimentação, transporte, assistência jurídica e apoio psicológico. Também oferecemos tecnologias e medicamentos que ajudam a garantir o tratamento adequado dentro dos protocolos”, explica.

A realidade das famílias e o impacto do acolhimento

A história do pequeno Rael Lacerda, de 4 anos, natural de Divisa Alegre (MG), ilustra o percurso de muitas famílias até o diagnóstico correto. Inicialmente, os sintomas — como falta de ar e cansaço — foram associados a doenças comuns da infância.

O pai, Rafael Lacerda, relembra as dificuldades até chegar ao diagnóstico definitivo. “Passamos por várias cidades até conseguirmos vaga em Montes Claros, onde veio a confirmação de leucemia. Foram meses muito difíceis, de internação e incertezas”, conta.

Durante três meses de internação contínua, a família permaneceu ao lado de Rael. “Eu dormia no hospital com ele. A presença da família faz diferença para dar segurança à criança”, relata.

Segundo ele, o apoio da Fundação Sara foi fundamental no enfrentamento da doença. “Sem a Fundação, seria muito mais difícil. O acolhimento, o transporte, o apoio psicológico e até o cuidado com atividades para as crianças fazem toda a diferença. A gente se sente amparado”, afirma.

A médica Sabrina Eleutério reforça essa percepção. “Quando enxergamos a criança como um ser humano integral e não apenas a doença, o tratamento se torna mais eficaz e mais humano”, destaca.

Solidariedade e incentivo à doação

Para a mãe de Rael, Maria da Glória, a rede de apoio é resultado direto da solidariedade de quem contribui com a instituição. Ela destaca a importância das doações por meio do Imposto de Renda.

“Para estarmos aqui hoje, alguém deu o primeiro passo. Doar é um gesto simples, mas que muda vidas”, afirma.

A Fundação Sara reforça que contribuintes que optam pelo modelo completo da declaração do Imposto de Renda podem destinar até 3% do imposto devido diretamente à instituição, sem custo adicional, até o prazo final de 29 de maio de 2026.

De acordo com a entidade, os recursos são aplicados no custeio de exames, medicamentos e ações de acolhimento às famílias.

Como contribuir

A destinação pode ser feita diretamente na declaração do Imposto de Renda. Após o envio, o contribuinte deve informar a Fundação Sara e encaminhar o comprovante da DARF pelo site oficial ou via WhatsApp, garantindo a correta destinação dos valores.

Mais informações e orientações estão disponíveis nos canais oficiais da instituição.

Sobre a Fundação Sara

Fundada em junho de 1998, em Montes Claros (MG), a Fundação Sara surgiu a partir da história de luta da pequena Sara e de seus pais, Álvaro e Marlene, e se consolidou como referência no acolhimento de crianças e adolescentes com câncer no Norte de Minas.

Ao longo de sua trajetória, a instituição ampliou sua atuação para o diagnóstico precoce, apoio hospitalar e assistência integral às famílias. Em 27 anos de história, já são mais de 1.800 famílias assistidas.

Reconhecida nacionalmente por sua gestão e transparência, a Fundação foi listada entre as 100 Melhores ONGs do Brasil em diferentes edições e recebeu o Prêmio Integridade do Ministério Público de Minas Gerais.

Atualmente, a instituição avança na construção do Hospital de Câncer Sara Albuquerque, que será o primeiro hospital oncopediátrico exclusivo da região, em parceria com a Santa Casa de Montes Claros.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.