Mais da metade das vítimas de violência sexual atendidas pelo Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), em Montes Claros, são crianças e adolescentes. Os dados foram divulgados pela unidade da Unimontes neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, e reforçam o alerta sobre a gravidade e a continuidade desse tipo de crime no Norte de Minas.
Referência regional no atendimento a vítimas de violência sexual e física, o hospital registrou 211 atendimentos relacionados à violência sexual ao longo de 2025. Já entre janeiro e abril de 2026, foram contabilizados 66 casos.
Segundo o levantamento, crianças e adolescentes seguem sendo os grupos mais afetados. Em 2025, esse público representou 67% dos atendimentos, sendo 43% crianças e 24% adolescentes. Em 2026, até abril, os menores de idade correspondem a 56% dos casos registrados.
Os dados também apontam predominância de vítimas do sexo feminino. Em 2025, mulheres e meninas representaram 84% dos atendimentos. Em 2026, esse percentual chegou a 97%.
Outro dado que chama atenção é o perfil dos agressores. Na maioria dos casos, os autores são pessoas conhecidas das vítimas, como amigos, familiares, companheiros, padrastos e pessoas próximas da convivência familiar.
A socióloga Theresa Raquel Bethônico Corrêa Martinez, que atua no HUCF, explica que o cenário local acompanha a realidade nacional.
“Os nossos dados são muito parecidos com o que acontece nacionalmente. A gente tem uma incidência maior de crianças e adolescentes, principalmente crianças. A violência sexual é majoritariamente maior em mulheres, embora haja também casos envolvendo meninos, geralmente crianças”, destacou.
Ela também reforça que o vínculo entre vítima e agressor dificulta o enfrentamento da violência.
“A maior parte dos agressores são pessoas conhecidas e de confiança das vítimas. No caso das crianças, aparecem pais, padrastos, tios, avôs e vizinhos. Já entre adultos, há muitos casos envolvendo companheiros ou ex-companheiros”, afirmou.
O levantamento mostra ainda que a maioria das ocorrências acontece dentro de casa. Em 2025, 47% dos casos ocorreram em residências. Já em 2026, esse percentual subiu para 56%.
Além do acolhimento médico, psicológico e social, o Hospital Universitário oferece atendimento humanizado e sigiloso 24 horas por dia, incluindo profilaxia contra ISTs e HIV, coleta de vestígios para perícia e interrupção da gravidez nos casos previstos em lei.
De acordo com o HUCF, os números reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, da atuação integrada entre saúde, segurança pública e rede de proteção social, além da importância da denúncia em casos de abuso e exploração sexual.





